Identidade docente: Da subjetividade à complexidade / Teaching identity: From subjectivity to complexity

Ana Maria Freitas Dias Lima, Josseane Araújo da Silva Santos, Lilian Gama da Silva Póvoa, Maria José de Pinho

Abstract


O objetivo do artigo é traçar um paralelo envolvendo a teoria de Edgar Morin que nos traz conceituais a respeito do pensamento complexo e o entendimento de subjetividade proposto por González Rey, associando-os à constituição identitária de professores. Como constituir-se docente aliando a subjetividade e a epistemologia da complexidade? Para responder tal questão, utilizou-se como referencial teórico Tardif (2013), que nos descreve sobre a profissionalização docente, vocação, ofício e profissão; Morin (2000, 2002, 2111), dando-se ênfase a alguns princípios complexos morinianos; e os ensinamentos de Rey (2005a, 2005b, 2011, 2012) que remetem principalmente para o estudo da subjetividade. A constituição identitária do professor não é estagnada, é, portanto, contínua. Assim, corrobora com o modelo de pensamento da Complexidade, em que a aprendizagem se dá como um processo existencial, tendo como característica fundamental a subjetividade. Propõe, ainda, uma visão de homem na inteireza do ser que participa da construção do conhecimento não só pelo uso da razão, mas também aliando as emoções, os sentimentos e as intuições. A partir dos operadores dialógicos, holográficos e recursivos, a Teoria da Complexidade propõe que se considere o caráter subjetivo, qualitativo e criativo da aprendizagem, os quais devem também servir de base para o modelo de compreensão da Educação. Constituir-se docente na complexidade e na subjetividade significa compreender a prática e a teoria como elementos únicos, considerar os fatores externos e internos para esse desenvolvimento, as experiências vivenciadas no cotidiano, na construção de saberes, memórias que podem ser reelaboradas e traduzidas na prática. Compreender a subjetividade docente (individual e social) como algo em construção é fundamental, pois a decisão de ser professor vai além de uma escolha temporal, é reforçada pelas nossas crenças, valores, motivações, trajetórias de vida do sujeito que aprende e ensina, e, entender esse processo é compreender os movimentos da complexidade. À guisa de recomendação, percebe-se a necessidade de trazer alternativas e possibilidades de reformulação dos referenciais educacionais na formação dos professores, reconhecendo o processo de aprendizagem complexo, envolvendo em seu processo de formação os aspectos físicos, biológicos, mentais, psicológicos, estéticos, culturais, sociais e espirituais, entre outros. Nesse sentido, seria, pois, o modelo complexo de compreensão da realidade e a abertura de novos espaços de subjetivação por meio da ação como possibilidades para tal?


Keywords


Subjetividade, Complexidade, Identidade Docente.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n6-020

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