Educação a curto prazo e sua influência sobre a saúde de mulheres obesas / Short term education and its influence on the health of obese women

André Carvalho Costa, Raimisson Vieira Silva, Andrei Pereira Pernambuco, José Carlos Leal, Rodrigo Vinícius Ferreira, Ronaldo Henrique Cruvinel Júnior, Vanessa Cristina Caetano do Couto, Lucas Ribeiro Marques Campos de Oliveira, Helena Siqueira Vassimon, Marisa Afonso De Andrade Brunherotti

Abstract


Introdução: A obesidade é uma condição crônica que se relaciona a um desequilíbrio entre a ingestão e o gasto energético. Se destaca como um dos maiores problemas de saúde pública, pois configura como fator de risco para mortalidade e diversas morbidades. Estima-se que 13% da população adulta mundial esteja obesa e os recentes esforços para conter essa epidemia esbarram na sua complexidade e multifatoriedade etiológica. Por isso, é certo admitir que são necessárias implicações para a definição das prioridades e estratégias de ação, especialmente no que tange a promoção da saúde dos indivíduos obesos. Objetivo: Avaliar o efeito de um programa educativo em saúde sobre variáveis antropométricas, bioquímicas e comportamentais de mulheres com obesidade tipo I e II. Metodologia: O estudo teve início após aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa. 43 mulheres foram inscritas para participar da pesquisa e após aplicação dos critérios de inclusão e não inclusão, 32 foram alocadas para compor dois grupos, um controle e outro experimental. Obteve-se os dados de interesse (ficha de identificação, índice de massa corporal; circunferência da cintura; concentração plasmática de colesterol, insulina, triglicerídeos, glicemia; Inventário de Ansiedade Traço/Estado; Questionário de Comportamento Alimentar e Escala de Satisfação com a Vida) nos momentos pré e pós intervenção. As atividades do Programa Educativo Para Emagrecimento eram realizadas uma vez por semana, por uma hora e abordava mudanças comportamentais, aumento do gasto calórico e reeducação alimentar, principalmente através de dinâmicas em grupo e palestras educativas. Completado dez semanas e após aplicação dos critérios de exclusão, terminaram todas as etapas, oito mulheres no grupo controle e dez no experimental. A normalidade dos dados foi verificada pelo teste de Kolmogorov Smirnov. Para comparação entre momentos, foi utilizado o Teste t pareado. O nível de significância foi ajustado para p ≤ 0,05. Resultados: Foi observado que o programa educativo teve um impacto significativo nas variáveis antropométricas do grupo experimental, antes e após intervenção. Para o índice de massa corpórea a diferença média foi de 0,66 kg/m2 (IC95% 0,13 a 1,19; p = 0,01) e para a circunferência da cintura foi de 3,75 cm (IC:95% 1,72 a 5,77; p= 0,00).  Com relação às variáveis antropométricas do grupo controle e as comportamentais e bioquímicas de ambos os grupos, o programa não influenciou significativamente. Conclusões: Devido ao impacto significante nos dados antropométricos obtidos, seu baixo custo, abrangência e com ações direcionadas para as reais necessidades de mulheres com obesidade, a educação em saúde pode ser um método escolhido para se atingir o sucesso terapêutico.


Keywords


Educação em saúde; obesidade; perda de peso

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