Distribuição por mesorregião dos casos de anemia e traço falciforme que realizaram a triagem neonatal no Estado do Pará, Brasil no período de 2013 a 2017 / Distribution by mesoregion of sicke cell anemia and sickle cell trait that underwent neonatal screening in the State of Pará, Brazil in the period of 2013 to 2017

Eliane Leite Da Trindade, Alana Ferreira Da Cruz, Danielle Barbosa Tavares, Dilton Correa Rodrigues, Hadassa Hanna Soares Martins, Hislen Dos Santos Pimentel, Marwim Luis Batista Costa, Victor Henrique Botelho Lourenço, Luiz Carlos Santana Da Silva

Abstract


Introdução: A anemia falciforme (AF) está entre as doenças genéticas de maior importância epidemiológica no Brasil e no mundo. É caracterizada por uma mutação no gene da hemoglobina normal (Hb A) originando a hemoglobina S (Hb S). Essa hemoglobina pode sofrer polimerização tornando a forma do eritrócito semelhante a uma foice, que é mais rígido e têm dificuldade de passar pelos vasos sanguíneos, gerando diversos sinais e sintomas. Objetivo: Determinar a prevalência da anemia e traço falciforme por Mesorregião em neonatos que realizaram triagem neonatal para hemoglobinopatias na rede pública no estado do Pará, Brasil no período de 2013 a 2017. Método: Estudo do tipo transversal com enfoque descritivo, baseado na análise exploratória de dados documentais de neonatos que participaram dos testes de triagem para hemoglobinopatias no período de janeiro de 2013 a dezembro 2017. Resultados: Neste estudo, foi realizada a triagem para as hemoglobinopatias em 559.126 neonatos provenientes das seis mesorregiões do estado do Pará e atendidos no programa de triagem neonatal na rede pública no período de janeiro de 2013 a dezembro de 2017. Durante o período, a cobertura do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) oscilou, porém, obteve a maior taxa no ano de 2017 com 87,29%. A média da cobertura do programa para o período foi de 80.18%. Em relação à prevalência de traço e AF por Mesorregião no estado do Pará, durante o período analisado foram confirmados 165 neonatos (0,03%) com AF e 15.393 (2,75%) com traço falciforme através da técnica de Cromatografia Líquida de Alta Performance (HPLC). As taxas de prevalência de traço e anemia falciforme foram maiores nas Mesorregiões Sudeste (3,84 e 0,06) e sudoeste paraense com (3,41 e 0,04%) principalmente nos anos de 2013 (2,95 e 0,06%) e 2014 com (2,88 e 0,04 %). Os Municípios do Sudeste Paraense que apresentaram as maiores prevalências de traço e anemia falciforme foram Marabá com 813 casos de HbAS (0,65%) e 20 HbSS (0,016%),  Parauapebas com 559 casos HbAS (0,44 %) e 8 HbSS (0,006%) e Paragominas com 232 casos HbAS (0,18%) e 5 casos de HbSS (0,004%) confirmado através da técnica de HPLC. Conclusão: Os dados obtidos mostraram a importância da investigação das hemoglobinas anormais com o propósito de tomar medidas preventivas através da triagem neonatal. Além de possibilitar o esclarecimento genético e proporcionar informações necessárias a respeito do planejamento familiar.


Keywords


Anemia falciforme, Traço falciforme, Triagem Neonatal, Estado do Pará.

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv2n6-050

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