Perfil epidemiológico da lesão autoprovocada em pré-adolescentes e adolescentes na região Sudeste entre 2009 e 2019 / Epidemiological profile of self-harm in pre-adolescents and adolescents in the Southeastern region between 2009 and 2019

Carol Bonfim Sabino, Carolina Takematsu, Debora Zandrovski Gonçalves, Lívia Saraiva Carriconde, Ana Virgínia Oliveira Brito e Oliveira, Ana Beatriz Silva Moreira, Marcos Divino de Oliveira Júnior, Juliane Kurobe Rojas Lopes de Andrade, Ana Beatriz Carvalho, Emanuelle Ferreira da Silva, Jordana Alexandre de Oliveira Santos, Kevyn Felipe Mendes

Abstract


A lesão autoprovocada é um sério problema de saúde pública, que envolve além das vítimas, os seus familiares e a população geral. É compreendida por qualquer lesão intencional contra si mesmo, incluindo desde as autoagressões, tentativa de suicídio e o suicídio consumado. As causas são diversas, indo desde fatores biológicos a socioculturais. Apresentar o perfil epidemiológico da lesão autoprovocada em pré-adolescentes e adolescentes na região Sudeste nos anos de 2009 a 2019. Foi realizado um estudo transversal e descritivo, com abordagem quantitativa entre os grupos etários de 10 a 19 anos na região Sudeste nos anos de 2009 a 2019, utilizando dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Os resultados mostraram uma maior frequência de lesões autoprovocadas no estado de São Paulo, seguido de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, observou-se um aumento progressivo do número de casos com o passar dos anos. Ao tratar da taxa de incidência (por 100 mil habitantes), o cenário muda, Espírito Santo mostra maior taxa, depois Minas Gerais, São Paulo e, a menor, Rio de Janeiro. Somado a isso, mais da metade dos casos notificados eram do sexo feminino, assim como faixa etária de 15 a 19 anos. Diante disso, notou-se que os problemas de saúde mental acometem com maior frequência às mulheres, e que os adolescentes são o grupo mais presente nas notificações de autolesão; sua vulnerabilidade é devido à fase de transição em que se encontram, marcada por um período de construção de identidade, e de processos complexos. O perfil epidemiológico traçado demonstra uma população vulnerável à prática de autolesão, que possui caráter multifatorial, devido às mudanças biopsicossociais e fatores individuais. No período analisado houve um aumento exponencial da incidência de casos, sendo importante atuar na sua prevenção, oferta de suporte, difusão de conhecimento e capacitação dos profissionais de saúde.


Keywords


Automutilação, Tentativa de Suicídio, Perfil de Saúde, Adolescente, Política de Saúde.

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv4n5-224

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