Perspectiva e desafios de nutricionistas vinculados ao núcleo ampliado de saúde da família e atenção básica (nasf-ab) / Perspective and challenges of nutritionists linked to the extended family health and primary care center (nasf-ab)

Juliana Lícia Rabelo Cavalcante, Nara Lizandra Moreno de Melo, Maria Natalia Pontes Lourenço, Alice Araújo Moreira, Marcus Vinicius Rocha Silva, Samuel do Nascimento Pereira, Caroline Rolim Bezerra, Luisilda Maria Dernier Pinto Martins

Abstract


Com a criação do Núcleo Ampliado de Saúde da Família (NASF), em 2008, foi possível a inserção de mais profissionais, a Atenção Básica (AB), dentre eles, o nutricionista. Sendo possível a diversificação e ampliação da integralidade na assistência. Assim, ações de assistência nutricional puderam ser melhores desenvolvidas, como, planos terapêuticos para Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT) e deficiências nutricionais, realização do cuidado nutricional em todas as fases da vida, promoção de ações integrativas e intersetoriais de educação em saúde e nutrição (BORELLI et al., 2015). A adoção de hábitos alimentares adequados aliados a um estilo de vida saudável contribui na redução ou prevenção de DCNT, responsáveis por 72% dos óbitos (BRASIL, 2018). Retratar os desafios do trabalho do nutricionista do NASF na Atenção Básica em Fortaleza e região metropolitana de Caucaia, municípios do Ceará.  Trata-se de um relato de experiência de nutricionistas atuantes no Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (NASF-AB). Uma das profissionais trabalha no município de Fortaleza desde janeiro/2018, e a outra há seis anos num bairro de Caucaia. As atividades realizadas são: atendimentos domiciliares, individuais e coletivos; ações no Programa Saúde nas Escolas; e salas de esperas, entre outras atividades. Foram elencados os principais desafios a serem superados no processo de trabalho deste profissional na Atenção básica. Arantes, Shimizu e Merchán-hamann (2016) verificaram que os principais desafios encontrados são financiamento insuficiente, à formação profissional em desarmonia com o modelo de atenção centrado na APS, e ao desenvolvimento de ações intersetoriais. Um dos maiores desafios no atendimento domiciliar são: falta de transporte municipal ou carro não comporta todos os profissionais, sendo necessário fazer vários deslocamentos para o transporte da equipe. Além disso, a violência existente nos territórios dificulta a segurança da visita; assim como a falta de instrumentos, e a grande demanda. Para os atendimentos individuais, o maior empecilho é a falta de sala fixa. Acontecem de muitas vezes os pacientes ficarem procurando pela nutricionista. Além disso, falta balança também para o atendimento na sala do nutricionista, sendo necessário que o paciente se desloque para outra sala para aferir o peso. Ainda pode-se salientar a deficiência na estrutura física, temperatura e ventilação em algumas unidades de saúde, que dificulta a qualidade do atendimento. Além das principais dificuldades já mencionadas, o desafio do nutricionista na Atenção básica em Fortaleza e Caucaia se deve a conquista de sua importância na visão da comunidade e de outros profissionais, ou seja, se fazer notar e ser valorizado, para que as ações sejam mais eficazes e surtam efeitos positivos a médio e longo prazo na melhoria das condições de saúde da população. Portanto, considerando a importância da atuação do NASF na ampliação, especialização e multidisciplinaridade na assistência a saúde, fornecendo à Atenção Básica um incremento na resolutividade de suas demandas. Assim, indivíduos e coletividades podem ter no seu território atendimento de forma a proporcionar a integralidade e intersetorialidade das ações. Embora, estas esbarrem na insuficiência de recursos, falta de equipamentos, desinteresse da população.


Keywords


Atenção Primária à Saúde, Nutrição, Saúde da Família.

References


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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv4n5-162

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