Frequência de casos de anemia falciforme, transfusão e tratamento – Experiência de um centro de hemoterapia em uma região do nordeste brasileiro / Frequency of sickle cell anemia cases, transfusion and treatment - Experience of a hemotherapy center in a region of northeastern Brazil

Weber de Santana Teles, Paulo Alexandre Correia de Jesus, Layne Cristiane Maria Nascimento Silva, Max Cruz da Silva, Ruth Cristini Torres, Marcel Vinícius Cunha Azevedo, Ângela Maria Melo Sá Barros, Paulo Celso Curvelo Santos Júnior, André Luiz de Jesus Morais, Ana Fátima Souza Melo de Andrade, Alejandra Debbo, Maria Hozana Santos Silva

Abstract


Objetivou-se analisar o perfil epidemiológico de pacientes portadores de anemia falciforme atendidos no Hemocentro em uma região do nordeste brasileiro. O estudo foi realizado por meio de uma abordagem quantitativa, através da análise de dados de 263 pacientes com anemia falciforme, obtidos a partir de prontuários e fichas de atendimento disponível em arquivos do setor ambulatorial, correspondentes ao período de janeiro do ano 2012 a agosto de 2019. Foi construído um banco de dados e registradas informações como gênero, faixa etária, grupo sanguíneo, fenotipagem Rh, quantidade de transfusões recebidas, naturalidade, continuidade no programa, última visita ao hemocentro e medicamentos em uso. Foi verificada uma prevalência maior da doença no indivíduo do sexo feminino, correspondente a 51,7%. Com relação à faixa etária, o intervalo de 20 a 29 anos foi o mais prevalente o que correspondeu a 25,1%. Observou-se, ainda, que as bolsas do tipo sanguíneo O+ são as mais representativas (38%) nas transfusões, e que os fármacos mais prescritos foram o EXJADE (6,8%), Hydrea (30,4%) e ácido fólico (51,7%). Portanto, esta doença, que apresenta caráter crônico, genético e hereditário também precisa ser estudada levando em consideração às suas particularidades sociais e econômicas dos pacientes. Destaca-se, assim, a importância do diagnóstico precoce e da terapêutica farmacológica e transfusional para melhoria da expectativa e qualidade de vida dos portadores da siclemia, bem como o investimento em projetos de cunho científico que promovam a disseminação deste atendimento especializado a todos os níveis da saúde nacional.


Keywords


Anemia falciforme, Siclemia, Epidemiologia, Tratamento.

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv4n5-155

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