Perfil epidemiológico da mortalidade materna por eclâmpsia entre 2009 e 2019 no Brasil / Epidemiological profile of maternal mortality from eclampsia between 2009 and 2019 in Brazil

Juliana Pereira de Lucena Menezes, Gabriela de Queiroz Fontes, Laís Baldin, Viviane Garcia Moreno de Oliveira, Luiz Ricardo Gois Fontes, Gabriela Oliveira Abreu de Faria, Júlia Maria Gonçalves Dias, Thaís Serafim Leite de Barros Silva

Abstract


A eclâmpsia é definida pela presença de convulsões generalizadas em gestantes com pré-eclâmpsia, isto é, mulheres que apresentam hipertensão após a 20a semana de gestação, acompanhada de pelo menos um sinal clínico, laboratorial ou hemodinâmico de hiperatividade endotelial vascular. É uma patologia grave que reflete a qualidade da assistência pré-natal e de maternidades no Brasil.  Apontar o perfil epidemiológico das mulheres falecidas por eclâmpsia no Brasil no período de 2009 a 2019. Trata-se de um estudo observacional e descritivo com informações coletadas a partir do banco de dados TabNet- DataSUS, usando o CID-10 “O15- Eclâmpsia”, filtrando os resultados sob os critérios de “cor/ raça”, “faixa etária”, “escolaridade”, “estado civil”, “região” e período de 2009 a 2019. Foram registrados 1.745 óbitos no tempo estudado, sendo a maioria com idade entre 30 a 34 anos (20,17%), pardas (56,6%) e com escolaridade entre 8-11 anos (32,6%). O perfil delineado segue com 45,3% de solteiras, contra 28,2% de casadas e as 26,5% restantes alocadas entre viuvez, divorciadas e ignorado/ outros. Por fim, entre as 5 regiões do país, o Nordeste lidera números com 718 mortes (41,14%), seguido do Sudeste com 449 (25,7%), e as demais mortes estão distribuídas nas outras regiões. O perfil epidemiológico das mães que falecem por eclâmpsia são mulheres jovens, pardas, solteiras, de média escolaridade e nordestinas.


Keywords


Eclâmpsia, mortalidade materna, epidemiologia.

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv4n5-126

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