Autopercepção positiva de saúde entre idosos na região Nordeste do Brasil / Positive self-perceived health among the elderly in the Northeast Brazil

Sandra Rêgo de Jesus, Hellen Jasmyn Ramos Aguiar

Abstract


A autopercepção do estado de saúde é um bom indicador por refletir vários aspectos das condições de saúde, dos cuidados e da utilização dos serviços de saúde, tem sido utilizada como um instrumento norteador de ações de promoção da saúde da população idosa. Este estudo objetivou identificar os fatores associados à autopercepção positiva de saúde entre idosos na região Nordeste do Brasil. Trata-se de um estudo transversal com 7.206 idosos (≥ 60 anos) entrevistados pelo Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL) em 2018. Variáveis sociodemográficas, comportamentais e de condições de saúde foram agrupadas de acordo com um modelo hierárquico conceitual definido previamente para auxiliar na descrição da autopercepção de saúde. Regressão de Poisson foi utilizada, e as razões de prevalências com seus respectivos intervalos de confiança a 95% foram estimadas. A prevalência de autopercepção positiva de saúde foi de 46,29%.  A probabilidade de uma melhor percepção de saúde aumentou com o sexo masculino (RP = 1,25), idade entre 60 a 64 anos (RP =1,12), alta escolaridade (9 anos ou mais de estudo - RP =1,25), posse de plano de saúde (RP = 1,27), consumo regular de frutas e hortaliças (RP = 1,14) e atividade física suficiente no lazer (RP = 1,26), mas diminuiu com a raça preta e parda (RP = 0,89), presença de diabetes (RP = 0,74) e presença de hipertensão (RP = 0,70). A análise desses fatores sinalizam aspectos importantes para as formulações de políticas públicas específicas, tendo em vista a equidade em saúde, a promoção da saúde e a prevenção de agravos para melhorar a qualidade de vida dessa população.


Keywords


Autopercepção de saúde, idosos, estudos transversais.

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv4n5-124

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