A ideação suicida na clínica de base fenomenológico-existencial / Suicidal ideation in the phenomenological-existential clinic

Geni Teresinha Dutra Astine

Abstract


RESUMO Este trabalho tem como objetivo compreender a ideação suicida pela perspectiva da psicologia fenomenológico-existencial. No contexto social-histórico como o que vivemos, o suicídio é mais comumente compreendido sob duas vertentes: uma que explica que tal ato provém de um transtorno psíquico ou da incapacidade da pessoa em não conseguir lidar com as adversidades da vida, vendo no suicídio uma forma de escapar da angústia gerada por essas adversidades. A Psicologia Fenomenológico-existencial, por sua vez, traz uma concepção de homem e de mundo, em que ambos se constituem mutuamente, não sendo essa relação pautada em categorizações ou determinações prévias à situação em que essa relação se dá, sejam elas quais forem. É a partir dessa premissa de homem e de mundo, que este estudo se pautará para a compreensão da ideação suicida presente na clínica psicoterápica de base fenomenológico-existencial. Adotaremos como metodologia uma revisão bibliográfica que inclui a temática do suicídio e suas concepções ao longo do tempo até a atualidade e a clínica de cunho existencial. Com este estudo, espera-se compreender como o ato voluntário de pôr fim à vida pode ser assistido no contexto psicoterápico através de um outro olhar que não aquele apenas da psicopatologia.Na atualidade, o fenômeno do suicídio tem se destacado como uma das problemáticas centrais na área da saúde pública. Diversos saberes têm buscado entendimento e respaldo que possam orientar suas ações acerca dele. A Psicologia se apresenta como um desses saberes que busca compreender esse fenômeno e também apontar indicadores sólidos e consistentes que possam clarificá-lo. Quem é esse sujeito que diz não à existência e tira a vida com as próprias mãos? A princípio, é uma pessoa que, com seu ato, desorganiza a dinâmica familiar, social e médica. Ao dizer não à existência, o sujeito desestabiliza a ordem, posto que o suicida seja aquele que subverte a ordem médica, contraria as leis cristãs e desafia a lógica capitalista de uma pessoa não mais produtiva. O suicídio, compreendido como um ato voluntário de pôr fim à vida sofreu diversas concepções ao longo da história da humanidade, indo desde gesto heroico até sentimentos do denominado “vazio existencial”. No contexto social-histórico como o que vivemos, o suicídio é mais comumente relacionado à incapacidade da pessoa em não conseguir lidar com as demandas da nossa era. Nesta, em que não é permitido falhar ou errar, muitas pessoas sentem-se incapazes, até mesmo esgotadas, para atender a essa demanda, a esse imperativo de sucesso, lançando-se num transtorno existencial, que, por vezes, se precipita para um ato suicida. O suicídio, muitas vezes, se configura, assim, como uma saída do sujeito para se livrar da sua incapacidade de atender às expectativas do mundo. O sujeito com ideação suicida seria aquele mergulhado numa angústia desmedida, angústia sentida no corpo sob a forma de dor, dói à alma, sendo a dor uma condição existencial, intrínseca à vida. O presente estudo se pautará na psicologia de base fenomenológico - existencial para a compreensão do suicídio, buscando analisar como essa psicologia se pauta no entendimento do fenômeno atualmente.


Keywords


Ideação Suicida, Clínica Psicoterápica, Psicologia Fenomenológico-Existencial, Suicídio.

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv4n5-081

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