Análise comparativa do risco de quedas de idosas obesas e não obesas / Comparative analysis of the risk of falls in obese and non-obese elderly women

Janina Lied da Costa, Taís Fernandes Amaral, Sinara Porolnik, Hedioneia Maria Foletto Pivetta

Abstract


A crescente expectativa de vida provém do aumento do número de idosos e, muitas vezes, traz a incidência de diferentes problemas de saúde, incluindo a obesidade.  A “epidemia de obesidade” é resultado dos hábitos não saudáveis que pode resultar em muitas comorbidades. Além disso, fatores genéticos, comportamentais e ambientais, incluindo alimentação e o sedentarismo acabam impactando na qualidade de vida. Essas alterações tornam os idosos mais vulneráveis e podem ocasionar a ocorrência de quedas, também considerada um problema de saúde pública. O objetivo deste estudo foi comparar o risco de quedas de idosas obesas e não obesas. Originou-se do Projeto Integrado “Funcionalidade, risco de quedas, nível de atividade física e controle postural em mulheres com e sem Incontinência Urinária”, no qual foi realizado um recorte para análise do objetivo proposto. O estudo é de caráter transversal, observacional e quantitativo realizado com idosas pertencentes à comunidade e ao NIEATI/UFSM. Para compor a pesquisa foram selecionados, a partir do banco de dados, 32 idosas com média de idade de 66,75±5,59 anos tendo sido excluídas as idosas que declararam para o estudo de origem não ter algum problema de saúde. Utilizou-se uma Ficha de avaliação sociodemográfica para caracterização da amostra, Teste TUG e Fall Risk para avaliar o risco de quedas, índice de massa corporal (IMC) e circunferência da cintura (CC) para qualificar o estado nutricional e classificar as idosas quanto a presença de obesidade. Os dados foram analisados através da estatística descritiva com distribuição de frequências de valores absolutos e percentuais. As idosas foram divididas em dois grupos, a saber: 19 idosas obesas e 13 idosas não obesas, sendo a maioria casadas (50% n=16), de etnia autodeclarada branca (75% n=24), aposentadas (65,63% n=21) e com ensino fundamental incompleto (43,75% n=14). O grupo classificado como obesas apresentou IMC=34,89 kg/m²±3,62 e CC=103,61±8,23 cm, enquanto que o grupo não obeso teve IMC= 26,47kg/m² ±1,86 e a CC=89,38 cm ±5,03. Quanto ao risco de quedas, avaliadas pelo Teste TUG, 63,16% (n=12) das idosas obesas apresentam risco, enquanto 69,23% (n=9) das idosas não obesas têm risco. Quando avaliadas pelo Fall Risk, 84,11% (n=16) das idosas obesas apresentam risco e entre as idosas não obesas o risco de quedas ocorre em 61,45% (n=8). Os resultados obtidos demonstraram que as idosas consideradas obesas apresentam maior risco de sofrer quedas, uma possível justificativa deve-se ao aumento da circunferência da cintura que, além de caracterizar um elevado risco de morbidades e mortalidade, pode causar mudanças na projeção do centro de gravidade que afetam negativamente o controle do equilíbrio corporal. Desta maneira, sugere-se que os idosos se mantenham ativos, incluindo em sua rotina atividades físicas de forma regular e preventiva, além de uma alimentação saudável.


Keywords


Acidentes por queda, Comorbidade, Idosos, Obesidade.

References


ARAÚJO C.A.H. et al. Ambiente construído, renda contextual e obesidade em idosos: evidências de um estudo de base populacional. Cadernos de Saúde Pública v.34, n. 5, p. 0006-0217, 2018.

BAGNOLI, V.R, FONSECA, A. M, ARIE, WM, DAS NEVES EM, AZEVEDO, R.S, SORPRESO, I. C et al. Metabolic disorder and obesity in 5027 Brazilian postmenopausal women. Gynecol Endocrinol, v. 30, n. 10, p. 717-20, 2014.

CECCON, F.; CARPES, F.; Implicações do Exercício Físico regular sobre o controle postural de idosos. Estud. Interdiscipl. Envelhec, Porto Alegre, v.20, n.1, p.139-158, 2015.

COSTA, A. G. S. et al. Ocorrência de quedas e IMC em idosos. Rev. Enfermagem, UERJ - Rio de Janeiro, v.21, n.4, p.508-514, Out/Dez 2013.

DUARTE, Y. A. O., ANDRADE, C. L., LEBRÃO, M. L. O índex de Katz na avaliação da funcionalidade de idosos. Rev. Esc. Enfer. USP, São Paulo, v. 41 n. 2, p:317, 325, 2007.

ELIAS FILHO, J. et al. Prevalência de quedas e fatores associados em uma amostra comunitária de idosos brasileiros: uma revisão sistemática e metanálise. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.35, n.8, 2019.

FERNADES, V. L. S. et al. Mudanças posturais versus controle de equilíbrio e quedas em idosos que vivem na comunidade: uma revisão sistemática. Fisiot. Mov., Curitiba, v.31, 2018.

FIGUEIREDO, A. E. B.; CECCON, R. F.; FIGUEIREDO, J. H. C. Doenças crônicas não transmissíveis e suas implicações na vida de idosos dependentes. Ciências & Saúde Coletiva, v26, n.1, p:77-88, 2021.

FOLSTEIN, M. F.; FOLSTEIN, S. E.; MCHUGH, P. R. “Mini-mental state”: a practical method for grading the cognitive state of patients for the clinician. J Psichiat Rev., v.12, p.189-198, 1975.

FORNER, F. C.; ALVES, C. F. Uma revisão de literatura sobre os fatores que contribuem para o envelhecimento ativo na atualidade. Rev. Universo Psi, 1 (1), p:150-174, Taquara, 2019.

FRANCISCO, P. M. S. B. et al. Prevalência simultânea de Hipertensão e Diabetes em idosos brasileiros: desigualdades individuais e contextuais. Ciência e Saúde Coletiva, 23(11), p.3829-3840, 2018.

GIL, A. W. O. et al. Comparação do Controle Postural em 5 tarefas de Equilíbrio e a relação dos riscos de quedas entre idosas e adultas jovens. Fisiot. Pesq., v.24, n.2, p.120-126, 2017.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Disponível em: www.ibge.gov.br> [consultado: 19 de Março de 2020].

KIRKLAND J. L. Translating advances from the basic biology of aging into clinical application. Experimental gerontology, v. 48, n. 1, p. 1–5, 2013.

LEITÃO, S. M. et al. Epidemiologia das quedas entre idosos no Brasil: uma revisão integrativa de literatura. Geriat. Gerontol. Aging, v.12, n.3, p.172-179, 2018.

LIMA, A. L.; SILVA, M.; MANO, Y. F.; SILVA, L. & CALDART, R. Fatores associados a quedas em idosos: Uma revisão integrativa. Rev. Bras. Ciências do Env. Humano, v.17, n.2, Passo Fundo, 2020.

JURA, M.; KOZAK, L. P. Obesity and related consequences to ageing. Age (Dordrecht, Netherlands), v. 38, n.1, p. 23, 2016.

MATSUDO, S. et al. Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ): estudo de validade e reprodutibilidade no Brasil. Atividade física & Saúde, v. 6, n. 2, p. 5-18, 2001.

MINISTÉRIO DA SAÚDE, Departamento de Atenção Básica/Ministério da saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, 2006.

Ministério da Saúde - Diabetes Mellitus:

https://www.gov.br/pt-br/servicos-estaduais/tratamento-de-diabetes-mellitus-1

Ministério da Saúde – Hipertensão Arterial Sistêmica:

https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/hipertensao-arterial-habitos-saudaveis-ajudam-na-prevencao-e-no-controle-da-doenca

MONTEIRO, R. E. G.; COUTINHO, D. J. G. Uma breve revisão de literatura sobre os idosos, o envelhecimento e saúde. Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.6, n.1, p.2358-2368, Jan. 2020.

MORAES, D. C, et al. Instabilidade postural e a condição de fragilidade física em idosos. Rev Lat Am Enfermagem. v. 27, p. 3146, 2019.

MORAES, E. N.; MARINO, M. C. A.; SANTOS, R. R. Principais síndromes geriátricas. Rev. Med. Minas Gerais. Belo Horizonte/MG, v. 20, n. 1, p:54-66, 2010.

NASCIMENTO, M. de M. Queda em adultos idosos: considerações sobre a regulação do equilíbrio, estratégias posturais e exercício físico. Geriatr. Gerontol. Aging, v.13, n.2, p.103-110, 2019.

NERI, S. G. R.; OLIVEIRA, J. S.; DARIO, A. B.; LIMA, R. M.; TIEDEMANN, A. A obesidade aumenta o risco e a gravidade das quedas em pessoas com 60 anos ou mais? Uma revisão sistemática e Meta-análise de estudos observacionais. The Journal of Gerontology: Series A, v.75, Issue 5, p.952-960, may,2020.

PICOLLI, J. C. et al. Coordenação global, equilíbrio, índice de massa corporal e nível de atividade física: um estudo correlacional em idosos de Ivoti, RS, Brasil. Rev. Bras. Ger. Gerontologia, Rio de Janeiro, v.15, n.2, p.209-221, 2012.

REID, I. R. Should we prescribe calcium supplements for osteoporosis prevention? J Bone Metab. v. 21, n. 1, p.21-8, 2014.

REIS, L. A.; NUNES, N. S. O.; FLÔRES, C. M. R. Risco de quedas em idosos: uma comparação entre a Fall Risk Score de Dowton e o Teste de Timed up and go Test. InterScienta. João Pessoa, v.1, n.3, p.28-38, Set/Dez, 2013.

RODRIGUES, A. E. C. et al. Mulheres idosas obesas apresentam maior prevalência de quedas e pior equilíbrio estático e dinâmico? Um estudo transversal. Brazilian Jounal of Development, v.6, n.11, p.89242-89254, Curitiba, 2020.

RODRIGUES, I. G.; FRAGA, G. P.; BARROS, M. B. A. Quedas em idosos: fatores associados em estudo de base populacional. Rev. Bras. Epidemiol. São Paulo, v.17, n.3, july/Sept. 2014.

SANTOS, R. R. et al. Obesidade em idosos. Rev. Med Minas Gerais, v. 23, n.1, p. 64-73, 2013.

SILVA, L. et al. Fatores associados ao risco de quedas em idosos: Uma revisão integrativa. Rev. Bras. Ciências Env. Hum., v.17, n.2, 2020.

SILVEIRA, E. A.; VIEIRA, L. L.; SOUZA, J. D. Elevada prevalência de obesidade abdominal em idosos e associação com diabetes, hipertensão e doenças respiratórias. Ciências e Saúde Coletiva, v.23, n.3, Mar.2018.

VIEIRA, L. S. et al. Quedas em idosos no Sul do Brasil: Prevalência e Determinantes. Rev. Saúde Pública, São Paulo, v.52, n.22, 2018.

SAMPAIO, C. A. C.; ALVES, F. K.; FALK, V. C. V. Arranjo socioprodutivo de base comunitária: Interconectando o turismo comunitário com redes de Comércio justo. Turismo Visão e Ação, v. 10, n 2. p. 244-262, 2008.

SINGER, P. Introdução à economia solidária. 3ª ed. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2002.




DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv4n5-029

Refbacks

  • There are currently no refbacks.