Ceratite aguda por herpes zoster: um relato de caso/ Acute zoster keratitis: a case report

Victor Renault Vaz, Fernanda Vaz de Melo Bacha, Gabriela Loiola Pace, Mariana Horta Nunes

Abstract


Introdução: O vírus varicela-zóster (VZV), ou herpesvírus tipo 3, causa duas síndromes virais distintas: varicela (catapora) e herpes-zóster. O principal fator desencadeante do herpes zóster é a idade avançada, seguida por imunossupressão, trauma e irradiação. O herpes-zóster oftálmico (HZO) se inicia com o pródromo de febre, cefaleia e fadiga, e, posteriormente, evolui com manifestações cutâneas localizadas no dermátomo inervado pelo ramo acometido. O exantema inicia-se como erupção maculopapular, evoluindo para vesículas de conteúdo claro que tornam-se pústulas flavas e, posteriormente, crostas. Alguns sinais são característicos do acometimento do ramo trigêmio, como o sinal de Hutchinson (vesículas e pústulas na ponta do nariz). O tratamento da fase aguda do HZO é sistêmico, com o uso de antivirais orais no paciente imunocompetente e tópicos quando há ceratite. Relato de caso: Paciente de 82 anos, proveniente de Onça de Pitangui, MG. Apresentou-se em abril/2018 à UBS queixando-se de hiperemia, dor conjuntival e secreção ocular flava, além de lesão pruriginosa em região frontal. É firmado o diagnóstico de conjuntivite bacteriana e iniciado tratamento com Cilodex®. Após 3 dias, paciente evolui com aparecimento de pústulas em região frontal e dorso nasal. Encaminhado ao hospital em Belo Horizonte, foi efetuado diagnóstico de ceratite herpética por VZV. Discussão: O paciente avaliado apresenta fatores desencadeantes, como exposição solar e idade que corroboram com o desenvolvimento de HZO. Sintomas prodrômicos não foram encontrados no caso, apesar de serem frequentes nessa patologia. O sinal de Hutchinson, indicativo de acometimento do ramo nasociliar do nervo oftálmico, foi o direcionador para a possibilidade diagnostica de HZO e para posterior investigação especifica de ceratite herpética. O tratamento deve ser introduzido precocemente para evitar complicações e sequelas.  Conclusão: A ceratite herpética por VZV é, portanto, um quadro desafiador no aspecto de identificação e tratamento. Faz-se assim importante o relato do caso, para que possa-se ter maior conhecimento sobre a lesão e menos complicações, como danos oculares irreversíveis. O tratamento é simples e, quando adequado, evita perda visual permanente.


Keywords


Herpes Zoster Oftálmico, Ceratite Herpética, Herpesvirus 3.

References


Minor M, Payne E. Herpes Zoster Ophthalmicus. [Updated 2021 Jan 5]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2021 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK557779/

Li JY. Herpes zoster ophthalmicus: acute keratitis. Curr Opin Ophthalmol. 2018 Jul;29(4):328-333. doi: 10.1097/ICU.0000000000000491. PMID: 29794881.

Yawn BP, Saddier P, Wollan PC, et al. A population-based study of the incidence and complications rates of herpes zoster before zoster vaccine introduction. Mayo Clin Proc 2007; 82:1341–1349.

Liesegang TJ. Herpes zoster ophthalmicus: natural history, risk factors, clinical presentation, and morbidity. Ophthalmology 2008; 115:S3–S12.

Andrade FMX, Bezerra FM, Santos MSD, Araujo MEXS. Perfil clínico e achados oftalmológicos no Herpes Zoster Oftálmico. Rev Bras Oftalmol. 2019;78(3):170-4.

Davis AR, Sheppard J. Herpes Zoster Ophthalmicus Review and Prevention. Eye Contact Lens. 2019 Sep;45(5):286-291. doi: 10.1097/ICL.0000000000000591. PMID: 30844951.

Zaal MJ, Vo¨ lker-Dieben HJ, Wienesen M, et al. Longitudinal analysis of varicella-zoster virus DNA on the ocular surface associated with herpes zoster ophthalmicus. Am J Ophthalmol 2001; 131:25–29.

Liesegang TJ. Corneal complications from herpes zoster ophthalmicus. Ophthalmology 1985; 92:316–324.

Sanjay S, Huang P, Lavanya R. Herpes zoster ophthalmicus. Curr Treat Options Neurol. 2011 Feb;13(1):79-91. doi: 10.1007/s11940-010-0098-1. PMID: 21063920.

Zhu L, Zhu H. Ocular herpes: the pathophysiology, management and treatment of herpetic eye diseases. Virologica Sinica [Internet]. 2014 dez;29(6):327–42. Available from: http://dx.doi.org/10.1007/s12250-014-3539-2.

Tyring SK, Beutner KR, Tucker BA, et al. Antiviral therapy for herpes zoster: randomized, controlled clinical trial of valacyclovir and famciclovir therapy in immunocompetent patients50yearsandolder. ArchFamMed2000;9:863–869.

Aggarwal S, Cavalcanti BM, Pavan-Langston D. Treatment of pseudodendrites in herpes zoster ophthalmicus with topical ganciclovir 0.15% gel. Cornea 2014; 33:109–113.

Szeto SKH, Chan TCY, Wong RLM, et al. Prevelence of ocular manifestations and visual outcomes in patients with herpes zoster ophthalmicus. Cornea 2017; 36:338–342.




DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv4n4-066

Refbacks

  • There are currently no refbacks.