Avaliação do consumo de ultraprocessados por idosos com depressão em tratamento terciário para doenças cardiovasculares / Ultra-processed food intake by elderly with depression in tertiary treatment for cardiovascular diseases

Orlando Carvalho de Sousa Bandeira Filho, Flávia Rodrigues do Vale, Deborah Marotto, Laís Silva de Paula, Daniela Olegário Peçanha, Elisa Maia dos Santos, Grazielle Vilas Bôas Huguenin, Annie Seixas Bello Moreira

Abstract


Introdução: A depressão caracteriza-se por um distúrbio de natureza multifatorial da área afetiva ou do humor. É uma doença de saúde mental que pode diminuir a qualidade de vida, prejudicar a vida social e desenvolver outras complicações. O indivíduo depressivo pode estar mais suscetível ao consumo de ultraprocessados por ser uma alimentação prática, rápida e de maior palatabilidade, diminuindo o tempo destinado para a alimentação e ao mesmo tempo satisfazendo o paladar. Objetivo: Avaliar o consumo de alimentos ultraprocessados em idosos com depressão em tratamento terciário para doença cardiovascular. Métodos: Estudo transversal com 179 indivíduos de ambos os sexos, com idade a partir de 60 anos com histórico de evento cardiovascular, participantes do Estudo Multicêntrico Dieta Cardioprotetora Brasileira (DICA/BR) realizado no ambulatório de Cardiologia da Policlínica Piquet Carneiro (UERJ) e do ambulatório do Instituto Nacional de Cardiologia (INC).  Foram submetidos à avaliação dietética através do Recordatório de 24 horas, e avaliação de depressão através do questionário Center for Epidemiologic Studies-Depression scale- (CES-D Scale). As análises dietéticas foram realizadas através do programa NUTRIQUANTI® e as análises estatísticas foram feitas através do programa SPSS versão 21 e aplicados teste T student, teste Mann Whitney U e Correlação de Pearson, nível de significância < 0,05. Resultados: O gênero masculino correspondeu a maior parte da população (61,5%). Em relação à população total, 39% foram indicativo de depressão com 14 (8 – 20) pontos no questionário CES-D Scale. A contribuição calórica do VET (valor energético total) de alimentos in natura ou minimamente processados constou de 67,73% (51,43 – 77,06), alimentos processados de 18,54% ± 12,78 e alimentos ultraprocessados de 16,63% (8,95 – 28,13) sem diferença significativa entre os grupos (p>0,05). Não houve correlação entre o consumo de alimentos processados ou ultraprocessados com o escore de depressão dos idosos. Conclusão: Os resultados do presente estudo evidenciaram presença de um moderado consumo de alimentos ultraprocessados por idosos em tratamento terciário para doença cardiovascular com depressão. Porém, faz-se necessário a realização de mais estudos.


Keywords


Depressão, Envelhecimento, Alimentos Ultraprocessados, Doenças Cardiovasculares.

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv4n3-340

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