Mielopatia compressiva com progressão atípica / Compressive myelopathy with atypical progression

Anna Sophia Almeida Gouveia, Laura Beatriz Wuensch Weschenfelder, Juliana Limberger Heinze, Antônio Manoel de Borba Junior

Abstract


Objetivo: Diversificar os conhecimentos científicos sobre as diferentes apresentações da mielopatia compressiva e suas possíveis progressões atípicas, a fim de possibilitar o diagnóstico preciso e melhorar a abordagem terapêutica. Relato do Caso: A.F.V.L., masculino, 47 anos, 60kg, tabagista, etilista, hipertenso, hepatopata (vírus C genotipo 1a – crônico ativo). Internou por queda da própria altura e escoriações abrasivas em região fronto-temporal e membros superiores. Evoluiu em 5 dias com dor cervical, parestesia, perda de força e mobilidade em ambas as mãos e membro inferior esquerdo com piora progressivas dos sintomas. Exame neurológico: Prova de Romberg e prova índex-nariz sem anormalidades e Mingazzini negativo com tremor bilateral repouso em baixa frequência; marcha com aumento da base de sustentação associada à dificuldade em realizar dorsiflexão do pé esquerdo; alteração do movimento em ambas as mãos com redução de força (grau IV-bilateral); força em antebraço preservada bilateralmente. Tomografia de crânio sem achados relevantes. Ressonância magnética de coluna cervical com presença de discopatia degenerativa acentuada (C3-C7), volumosas protrusões disco-osteofitárias comprimindo o saco dural e a medula. O maior grau de compressão medular ocorreu ao nível de C4-C5, sugerindo mielopatia espondilótica. Conclusão: A mielopatia espondilótica (ME) provoca alterações na coluna vertebral que resultam na compressão e possível degeneração medular. Tipicamente manifesta-se com exacerbação dos sintomas seguida por períodos de remissão destoando do caso relatado, posto que o paciente não apresentou sintomas comuns como transtorno espástico da marcha e sua progressão foi súbita. Então, pode-se afirmar que a apresentação relatada da ME não segue padrão de evolução típico, pois a progressão clínica foi aguda e rápida. Assim, o tratamento deve ser individualizado e, nesse caso, a intervenção cirúrgica fez-se mister a fim de impedir o declínio irreversível da função neurológica.


Keywords


Compressão da Medula Espinal, Lesão do Neurônio Motor Superior, Canal Vertebral.

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv4n3-313

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