Evolução temporal da taxa de incidência de hanseníase e proporção de grau de incapacidade na população geral e em com idade inferior a 15 anos no Nordeste no período de 2001 a 2019 / Temporal evolution of leprosy incidence rate and disability grade proportion in the general population and in those under the age of 15 years in the Northeast in the period from 2001 to 2019

Arthur Henrique de Oliveira Rocha, Gleide Maria Gatto Bragança, Laísa de Souza Guimarães, Valéria Raquel Rabelo Trindade Santos, Enaldo Vieira de Melo

Abstract


A Hanseníase, doença crônica infectocontagiosa causada bacilo Mycobacterium Leprae, que acomete principalmente a pele e nervos periféricos. É grande problemática de saúde em países endêmicos, como o Brasil, que ocupa o segundo lugar mundial na prevalência desta enfermidade, e devido ao potencial da doença em provocar incapacidades físicas, elevando o potencial de morbimortalidade nas populações acometidas. Apenas em 2020, foram diagnosticados 19.478 novos casos da doença no país, cuja ausência ou atraso no tratamento pode determinar incapacidades de ordem física, social e psíquica ao doente.

Objetiva-se nesse trabalho realizar uma análise evolutiva de 20 anos, dos anos 2001 a 2019 no Nordeste brasileiro, da taxa de detecção geral de casos novos com idade inferior a 15 anos, a proporção de casos novos com grau de incapacidade 2 ao diagnóstico e a proporção de casos novos com grau de incapacidade 2 em pacientes com idade inferior a 15 anos de idade. Metodologia: os dados foram coletados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação – SINAN durante o mês de março de 2021 utilizando  indicadores epidemiológicos da Hanseníase preconizados pelo Ministério da Saúde (MdS), segundo Portaria nº 3.125 de 2010, para todos os anos do estudo. Foi também realizada uma pesquisa qualitativa nos bancos de dados PubMed (Biblioteca Nacional de Medicina do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos) e Scielo (Scientific Eletronic Library Online) e dos portais do MdS, utilizando os descritores “Hanseníase”, “Epidemiologia” e “Adolescentes”. O modelo utilizado neste trabalho para realizar uma análise temporal dos indicadores foi o de regressão por pontos de inflexão (Joinpoint Regression Analysis). Conclusão: Nesse estudo, foi possível avaliar uma redução significativa da taxa de casos novos de Hanseníase em adolescentes com idade inferior a 15 anos. Houve um aumento na proporção de casos com GIF 2 na população geral. Em contrapartida, houve uma redução na proporção de casos de GIF 2 em adolescentes menores de 15 anos.


Keywords


Hanseníase. Epidemiologia. Adolescente.

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv4n3-301

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