Impactos no Desenvolvimento de Crianças com Mães Epilépticas Submetidas ao Tratamento com Antiepilépticos: uma Revisão Literária/ Developmental Impacts of antiepileptic treatment in Children with Epileptic Mothers: a Literature Review

Maria Luisa Lima Pena, Carolina Bravim Ferraço Vetorazi, Ester Rossi Tavares, Heloisa Sandre Said, Isadora Bermudes Modenese, Júlia Almeida Stelzer, Rayssa Souza Teixeira, Sarah Mezadri Pinheiro, Yaritza Suhett Caiado

Abstract


Introdução: A epilepsia é a condição neurológica com impacto no desfecho da gravidez mais comum, afetando de 3 a 4 por 1000 gravidezes. A exposição pré-natal aos medicamentos antiepilépticos influenciam nos diferentes domínios do desenvolvimento, com efeitos específicos no desenvolvimento motor, linguagem, comportamento e interação social. Além disso, apresentam risco aumentado de malformações e baixo peso ao nascer. Objetivo: Compreender os impactos no desenvolvimento de crianças com mães epilépticas submetidas ao tratamento da epilepsia. Método: Foram selecionados os descritores "Epilepsy", "Pregnancy" e "Child Development". Realizou-se um levantamento bibliográfico na base de descritores MeSH e, posteriormente, na base de dados PubMed. Com isso, foram encontrados 95 artigos e para limitar a busca, foram selecionados os artigos dos últimos 10 anos e textos completos gratuitos, além de excluídos por título e leitura rápida de resumos. Para a composição deste artigo, foram utilizados 15 artigos. Discussão:  Dentre as gestantes com epilepsia, a maioria necessita de tratamento farmacológico durante a gravidez. Diante disso, apesar da terapêutica ser benéfica tanto para a mãe quanto para o bebê, crianças expostas a drogas antiepilépticas (AEDs) requerem atenção, uma vez que possuem risco aumentado de nascer com malformações graves, já que alguns desses medicamentos são potencialmente prejudiciais ao desenvolvimento fetal, principalmente no primeiro trimestre da gestação. Estudos demonstraram que a exposição fetal ao Valproato de Sódio (VPA) estava associada com alterações específicas no desenvolvimento motor, comportamento, interação social, QI reduzido, piora nas habilidades verbais e de memória, e piora das funções não verbais e executivas, quando comparadas com outros medicamentos antiepilépticos comumente usados (Carbamazepina e Lamotrigina). Vale ressaltar, que mesmo com o aumento de opções para o tratamento de epilepsia, ainda são poucas as informações sobre os efeitos teratogênicos das novas drogas, porém, de um modo geral, há uma maior tolerabilidade desse novo grupo de fármacos. Conclusão: Mulheres em idade fértil com epilepsia e seus parceiros devem receber cuidados adequados e acompanhamento com aconselhamento peri-concepcional, uma vez que, para gestações planejadas, é aconselhada a suplementação de ácido fólico pré-concepção e ajuste da medicação caso necessário para minimizar o risco de malformações durante a gravidez. Além disso, crianças expostas a antiepilépticos na gestação devem ser monitoradas ao longo da primeira infância para permitir a intervenção precoce, diagnóstico e suporte, caso seja necessário. Conclui-se, portanto, que faz-se necessária uma avaliação individualizada de riscos e benefícios para cada gestante, prezando pela saúde do feto e pelo controle das crises epilépticas da mulher. Por fim, é importante ressaltar que mais estudos a longo prazo devem ser realizados com as novas drogas antiepilépticas, com o intuito de observar os seus efeitos no desenvolvimento fetal.


Keywords


Epilepsia, gravidez, desenvolvimento infantil.

References


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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv4n3-218

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