Alterações bucais em gestante com anemia falciforme: relato de caso / Oral alterations in a pregnant woman with sickle cell anemia: case report

Ana Paula Nogueira Godoi, Gilcelia Correia Santos Bernardes, Nívea Aparecida de Almeida, Fernanda Henriques Rocha Ribeiro, Patrícia Costa Souza de Sá, Leilismara Sousa Nogueira, Gustavo Machado Rocha, Melina de Barros Pinheiro

Abstract


Introdução: A anemia falciforme (AF) é uma hemoglobinopatia hereditária que cursa com anemia hemolítica crônica e, frequentemente, provoca crises álgicas. Gestantes com AF podem apresentar complicações obstétricas e hematológicas, além de serem mais susceptíveis às infecções e alterações bucais. Objetivo: Relatar as alterações bucais e fatores associados em uma gestante com anemia falciforme. Métodos: A gestante foi convidada a participar do estudo durante o pré-natal na Unidade de Saúde de referência. Após seu devido consentimento, os dados foram coletados por meio de entrevista e avaliação clínica. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFSJ pelo parecer número 3.614.386, CAEE 20648719.3.0000.5545. Resultados: A paciente teve o diagnóstico tardio de AF, aos 22 anos, durante a 23ª semana de sua primeira gestação. No entanto, a mesma não realizava acompanhamento e terapia específica e aderia ao tratamento medicamentoso apenas em crises e gestações. Possui histórico de desfechos gestacionais desfavoráveis: neomorto (primeira gestação) e gestação molar (terceira gestação). Além da AF, a gestante foi diagnosticada com sífilis nesta gestação e na anterior, e apresenta infecções de repetição do trato urinário. Ao exame clínico bucal, com 38 semanas e 3 dias de gestação, a paciente apresentava 28,1% (9) elementos dentários ausentes, 9,4% (3) elementos cariados, 62,5% (20) dentes com desgaste inciso-oclusal e 6,25% (2) elementos cariados com envolvimento pulpar e abscesso. A gestante ainda apresentava péssima higiene bucal, perda óssea generalizada, gengivite, periodontite, pigmentação e palidez da mucosa, queixa de dor difusa na cavidade bucal e articulação temporomandibular, além de parafunção noturna com excursionamento (bruxismo). A paciente foi encaminhada para tratamento odontológico nas Unidades de Saúde de referência. Discussão: A ocorrência de alterações bucais, em pacientes com AF, está intimamente ligada ao próprio mecanismo patogênico da hemoglobinopatia. No entanto, pode ser agravada pelo não estabelecimento da terapia profilática e até mesmo, por hábitos de higiene insuficientes. Neste contexto, o diagnóstico tardio desta paciente pode ter contribuído para a orientação insuficiente da mesma e não adesão ao tratamento, que poderiam ter evitado ou atenuado, o surgimento de complicações bucais e o sofrimento da mesma. Conclusão: Devido ao impacto da AF sobre a saúde bucal dos pacientes, o atendimento multidisciplinar aos mesmos deve ser incentivado, com o foco principal na prevenção das alterações. No entanto, os estudos acerca da abordagem odontológica destes pacientes ainda são escassos, principalmente em relação ao período gestacional


Keywords


Gestante, Saúde bucal, Anemia falciforme

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv4n3-204

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