Prevalência de coinfecção por sífilis e HIV em adolescentes no Brasil/ Prevalence of syphilis and HIV coinfection in adolescents in Brazil

Laura Dourado Ferro, Lucca Lopes Martins, Eloá de Andrade Ferreira, Patrícia Mendonça Leite, Paulo Henrique Ramos de Oliveira Machado, Larissa de Moura Goulart Assis, Waldemar Naves do Amaral

Abstract


Introdução: Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) representam um grave problema de saúde pública no Brasil. Adolescentes possuem maior risco de adquirirem ISTs que adultos devido à maior frequência de práticas sexuais não seguras. Nos últimos anos, observou-se recrudescimento de casos de coinfecção por sífilis-HIV em adolescentes. Dessa forma, é relevante obter dados epidemiológicos sobre esse tema a fim de orientar medidas de saúde pública mais efetivas a essa população. Objetivos: Analisar a prevalência de coinfecção por sífilis-HIV em adolescentes no Brasil. Métodos: Revisão de literatura com análise de artigos disponíveis nas bases de dados PubMed, BVS e CAPES, utilizando-se os descritores “syphilis” AND “hiv” AND “coinfection” AND “adolescent” AND “Brazil”. Foram incluídos artigos de 2010 a 2020 que abordassem o tema proposto e excluídos aqueles não relacionados ao tema, restando para análise 9 dos 60 artigos inicialmente encontrados. Resultados: Em um estudo em Feira de Santana, foram atendidos 3.482 adolescentes de 11 a 18 anos entre 2003 e 2012, sendo 19% do sexo masculino, 34% não gestantes do sexo feminino e 47% gestantes. A prevalência de sífilis foi de 0,86% (1,95% em homens, 1,18% em mulheres não gestantes e 0,18% em gestantes). A coinfecção sífilis-HIV foi constatada em 100% dos homens e em 78,6% das não gestantes, observando-se associação neste último grupo entre sífilis e procura do serviço devido à exposição ou suspeita de IST/AIDS, uso de drogas e consumo de álcool. Por fim, verificou-se que relação sexual associada ao reduzido uso de preservativos foi a principal forma de exposição a essas doenças. Conclusão: A adolescência caracteriza-se como um momento de especial vulnerabilidade para comportamentos de risco, aumentando, assim, o risco para ISTs, como sífilis e AIDS. Portanto, é necessário que estratégias de prevenção e educação em saúde sejam desenvolvidas especialmente para esta população, considerando suas características particulares.


Keywords


HIV, Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, Sífilis

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv4n3-033

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