Análise da Qualidade de Vida das famílias de indivíduos com Transtorno do Espectro Autista no município de Juiz de Fora – Minas Gerais / Analysis of the quality of life of the families os individuals with autism spectrum disorder in the municipality of Juiz de Fora – Minas Gerais

Bárbara Campos Damasceno, Jéssica Camila Viana da Cunha, Lucas Brito Fortuna, Luiza Malatesta Lana, Marcela Dayrell Campos Pinto, Paula Alícia Barreto Alves, Anna Marcella Neves Dias, Nathália Barbosa do Espírito Santo Mendes, Guilherme Henrique Faria do Amaral

Abstract


Objetivo: Analisar a qualidade de vida das famílias dos indivíduos com transtorno do espectro autista. Métodos: Foram entrevistadas 29 famílias de indivíduos com transtorno do espectro autista que participam de um grupo de apoio no município de Juiz de Fora. Foram incluídas todas as famílias que participam do grupo e que quiseram participar da pesquisa. Foram aplicados dois questionários, um geral e o WHOQOL-Bref13 para avaliar a qualidade de vida. Resultados: Fizeram parte deste estudo 29 famílias, sendo 89,7% dos participantes do sexo feminino e a idade média foi entre 39 e 62 anos. Baseado na escolaridade, 37,9% possuía ensino médio completo. No que diz respeito ao estado civil dos entrevistados a maioria (51,7%) eram casados/união estável. Além disso, 58,6% tinham atividade produtiva, e destes, 65,5% recebiam entre um e três salários mínimos. Das famílias estudadas, 96,6% são compostas por um filho autista e 3,4% por dois filhos autistas, 27,6% obtêm auxílio externo e 44,8% recebem ajuda no cuidado. Além disso, 89,7% compõem o GAPPA sendo que 48,3% relataram melhora após adesão ao grupo. No quesito atividade física, não houve enormes discrepâncias entre os indivíduos que praticam (59,5%) e os que não praticam (50,7%). Foi observado também que a maioria (63,4%) possui ajuda para cuidar dos filhos autistas. Apenas 13,8% dos participantes relataram a necessidade de um melhor acompanhamento escolar. No atual estudo, apenas 6,9% dos participantes afirmaram a necessidade de terapia comportamental para seus filhos. A média da qualidade de vida entre homens e mulheres foi de 58.3%. Conclusão: Foi evidenciado que as famílias não apresentam boa qualidade de vida, devido a falta de profissionais capacitados, pouco auxílio financeiro, reduzido apoio familiar, programas de inserção no meio social insuficientes, dedicação exclusiva da mãe ao filho autista, com escasso tempo para si e para a família. Assim, são necessárias medidas de intervenção, como terapia familiar, fonoaudióloga, pediatra, neuropediatra, psicopedagogo, implementação de áreas de lazer, ambiente de inclusão, programas de auxílios governamentais e conscientização da população.


Keywords


Transtorno do Espectro Autista, Qualidade de Vida, Família.

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv4n3-028

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