Incidência de infecção pelo hiv e mortalidade por aids em adolescentes no Brasil / Incidence of hiv infection and aids mortality in adolescents in Brazil

Laura Dourado Ferro, Lucca Lopes Martins, Letícia Paula Correia, Paulo Henrique Ramos de Oliveira Machado, Lívia Pereira do Vaz, Eloá de Andrade Ferreira, Waldemar Naves do Amaral

Abstract


Introdução: Embora tenha se estabilizado nos últimos anos, a infecção pelo HIV tem tido notificações crescentes na adolescência, possivelmente devido à descoberta da sexualidade, à multiplicidade de parceiros e ao baixo uso de preservativos serem mais comuns nessa fase. Assim, é relevante analisar a epidemiologia de HIV/AIDS em adolescentes no Brasil. Objetivos: Analisar a incidência de infecção pelo HIV e mortalidade por AIDS em adolescentes no Brasil. Métodos: Estudo ecológico, retrospectivo, com consulta ao Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde sobre HIV/AIDS de 2019, contendo dados do Sistema de Informações de Agravos de Notificação (SINAN) e Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) de 2007 a 2019. Resultados: Segundo dados do SINAN, de 2007 até junho de 2019 foram notificados 300.496 casos de infecção pelo HIV no Brasil, sendo 0,2% entre 10-14 anos e 5,7% entre 15-19 anos, com maior percentual relativo de adolescentes no sexo feminino que no masculino. Embora tenha menor percentual relativo, os casos absolutos em meninos de 15-19 anos entre 2011 a 2018 cresceram mais que em meninas nessa faixa, aumentando de 351 para 1671, enquanto em meninas, de 315 a 734. Quanto ao coeficiente de mortalidade por AIDS de 2008 a 2018, observou-se redução tanto na faixa dos 10-14 anos (de 0,3 para 0,1) quanto na dos 15-19 anos (de 0,8 a 0,6), valendo destacar que em ambos os sexos esse coeficiente foi semelhante. Conclusão: A diminuição da mortalidade por AIDS entre adolescentes e o aumento na incidência de HIV entre 15-19 anos, especialmente no sexo masculino, sugerem melhora na perspectiva de tratamento, porém carência na prevenção da infecção. Portanto, esses indicadores podem potencializar intervenções e ações em saúde que atuem especialmente na prevenção dessa infecção na adolescência, através de campanhas que conscientizem quanto à importância de práticas sexuais seguras.


Keywords


HIV, Infecções Sexualmente Transmissíveis, Síndrome de Imunodeficiência Adquirida, Mortalidade, Adolescente.

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv4n3-016

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