Polifarmácia e riscos na população idosa / Polypharmacy and risks in the elderly population

Giovanni Pereira Pio, Pedro Rubem Frazão Alexandre, Letícia Figueiredo de Souza e Toledo

Abstract


Atualmente o Brasil possui mais de 30 milhões de idosos, o que representa 14% da população do país, sendo que o número de indivíduos acima de 65 anos ou mais cresceu 26% entre 2012 e 2018. Tal envelhecimento populacional é responsável pelo aumento da prevalência das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), nas quais os medicamentos têm um papel importante. Apesar de necessária em muitos casos, a polifarmácia pode ser perigosa devido aos possíveis efeitos adversos, principalmente nos idosos. Objetivos: Diante desse cenário, objetivou-se, através de revisão de literatura, identificar os fatores de risco associados à presença de polifarmácia, bem como suas consequências, e propor uma conduta para sua utilização com segurança. Métodos: A revisão de literatura foi baseada em buscas realizados nas bases de dados do Sistema Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (LILACS), do Medical Literature Analysis And Retrieval System Online (MEDLINE), do Scientific Eletronic Library Online (SCIELO), do Google Acadêmico, dos comitês nacionais e internacionais de saúde, de publicações da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) e da BMC Geriatrics entre os anos de 2007 e 2020, nos idiomas português e inglês. Para a busca foram utilizados os descritores polifarmácia e seus sinônimos e as seguintes palavras-chave e delimitadores combinados: Polifarmácia; Idosos; Saúde do Idoso; Fatores de risco e Comorbidades. Resultados e discussão: Os principais fatores de risco associados à polifarmácia foram: idade, obesidade, presença de doenças crônicas e comorbidades. Dentre as repercussões quando do uso de 5 ou mais medicamentos pelos idosos foram identificados: riscos de hospitalização, de declínio funcional, de deficiência cognitiva, de não adesão ao tratamento, de reações adversas e de interações medicamentosas. Ficou estabelecido uma associação direta entre a polifarmácia e qualidade de vida do idoso. Conclusão: Considerando a vertiginosa expansão da automedicação e polifarmácia em idosos, haja visto o fácil acesso a medicamento sem receita, as evidências guiam para a necessidade de atenção especial e uma abordagem geriátrico-gerontológica multidisciplinar continuada de caráter universal, minimizando possíveis desfechos negativos associados neste cenário. Para isto, existe a necessidade de esforços coletivos dos profissionais de saúde para programas específicos de atenção ao idoso sejam continuados e ampliados, visando orientações elucidativas para os cuidadores, familiares e para o próprio idoso.


Keywords


: Polifarmácia, Idosos, Fatores de Risco e Comorbidades.

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv4n2-403

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