Análise cognitiva e o uso de medicamentos em idosos institucionalizados e não institucionalizados/ Cognitive analysis and the use of medicines in institutionalized and non institutionalized elderly people

Tanise Nazaré Maia Costa, Juan Pablo de Sá Nieto, Letícia Sayumi Morikawa, Amanda Vallinoto Silva de Araújo, Antônio Augusto Moreira Cardoso, Bárbara Gabriel Mafra, Mariana do Nascimento Eiró, Vânia Nazaré Maia dos Santos, Victória Oliveira da Costa

Abstract


INTRODUÇÃO: O aumento da expectativa de vida no Brasil é um assunto relevante e está relacionado a uma maior demanda de assistência a longo prazo, no sentido de garantir a funcionalidade e a qualidade de vida. As instituições de longa permanência para idosos (ILPI) têm caráter residencial, abrigam indivíduos com idade igual ou superior a 60 anos e constituem um domicílio coletivo que contempla pessoas com diferentes demandas sociais e de saúde. Devido às características clínico-epidemiológicas dos residentes nessas instituições, há o predomínio de idosos dependentes e com alta necessidade de tratamento farmacológico. Logo, esse contexto é responsável pelo aumento da utilização de medicamentos, o que torna a polifarmácia uma realidade cada vez mais evidente. OBJETIVOS: O presente estudo objetiva avaliar o uso de medicamentos em idosos institucionalizados e não-institucionalizados. METODOLOGIA: Foi aplicado um protocolo de pesquisa para obtenção de dados epidemiológicos como idade, sexo, escolaridade e quantidade diária de medicamentos. A amostra total foi de 90 pacientes, 60 não institucionalizados atendidos ambulatorialmente no CEMEC e 30 institucionalizados na ILPI Lar da Providência.  RESULTADOS: Na presente pesquisa, a quantidade média de medicamentos no total foi de 4,6. No CEMEC foi de 3,4 e na ILPI de 6,9. Praticamente o dobro de medicamentos é utilizado pelos idosos da ILPI comparados ao CEMEC. Além disso, nas sessões do MEEM, um destaque deve ser dado para memória imediata. Enquanto todos os pacientes do CEMEC obtiveram pontuação máxima na categoria, cerca de 17% dos pacientes da ILPI não obtiveram a nota máxima. Esses pacientes, além de residir em ILPI, utilizam mais de 6 medicamentos. Para avaliar se a polifarmácia também é um contribuinte para isso, podemos comparar com a quantidade de medicamentos consumidos por pacientes do CEMEC, levando em consideração a idade. Ao correlacionar os grupos, obtivemos uma relação positiva na ILPI, indicando que quanto maior a idade maior o consumo de medicamentos. CONCLUSÃO: Os resultados podem ser estudados e utilizados para promoção de ações em saúde que objetivem melhorar o atendimento à população idosa, favorecendo na elaboração de políticas públicas voltadas para a manutenção da capacidade funcional e cognitiva visando condições de saúde dos idosos que promovam bem estar, independência e vitalidade, além da promoção de ações que promovam o uso racional de medicamentos e que garantam maior segurança à farmacoterapia utilizada pela população idosa.


Keywords


polifarmácia, idosos institucionalizados, idosos não institucionalizados, cognição.

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv4n2-356

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