Adequação calórico-proteica, nutrição enteral precoce e tempo de permanência de pacientes críticos em uma unidade de terapia intensiva / Caloric-protein fitness, early enteral nutrition and time of stay for critical patients in an intensive care unit

Camila Anjos de Jesus, Luana De Oliveira Leite, Iana Conceição Da Silva, Lilian Brito Da Silva Fatal

Abstract


INTRODUÇÃO: A intervenção precoce do suporte enteral no paciente crítico é uma medida que tem sido amplamente indicada e tem sido associada a redução da internação hospitalar e mortalidade. Por outro lado a introdução tardia da nutrição enteral, as interrupções diárias na unidade de terapia intensiva e a sub ou superestimação das necessidades energéticas diárias podem impedir que o paciente receba o aporte nutricional adequado. OBJETIVO: Avaliar a associação entre a adequação energético-proteica da nutrição enteral, tempo de permanência e nutrição enteral precoce em pacientes críticos em uma unidade de terapia intensiva. MÉTODO: Estudo transversal e retrospectivo, realizado em uma unidade de terapia intensiva. Foram incluídos pacientes em uso de nutrição enteral de forma exclusiva, por um período ≥72 horas. Variáveis de adequação calórico-proteica ≥80% dos valores estabelecidos, tempo de permanência e a nutrição enteral precoce foram avaliadas. Os dados foram analisados utilizando o Software SPSS 20.0 para Windows. RESULTADOS: Dos 92 pacientes, 50% eram do sexo feminino, a média de idade foi de 71,96 ±12,86 anos e 38% dos pacientes apresentaram diagnóstico de sepse. O óbito foi o desfecho clínico predominante (76,1%). Quanto à adequação do suporte enteral, 67,4% e 40,7% alcançaram ≥80% da meta calórica e proteica em 7 dias, respectivamente. O tempo de permanência na unidade de terapia intensiva foi menor nos pacientes que tiveram o início precoce do suporte enteral com mediana igual a 13 dias (p=0,010).  Pacientes que atingiram a meta calórico e/ou proteica durante a primeira semana de internamento iniciaram de forma precoce a nutrição enteral (p=0,019 e p=0,001), respectivamente. CONCLUSÃO: Houve expressiva prevalência de pacientes que alcançaram a adequação calórica, no entanto, o mesmo não foi observado para a adequação proteica. A nutrição precoce associou-se a um menor tempo de permanência na UTI e à adequação calórica- proteica.


Keywords


Nutrição Enteral, Ingestão Calórica, Necessidade energética, Proteínas na Dieta, Estado crítico

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv4n2-292

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