A doença celíaca como fator de risco na fertilidade da mulher / Celiac disease as a risk factor in women's fertility

Laís Araújo Souto, Lívia Novaes Teixeira, Isabelle Cristina Abreu Bílio, Manuelle Quixabeira Freire, Victor Fernandes Feitosa Braga, Anna Gabriela Santana de Lacerda, Lucca Caminha Tokarski, Flávia Alves Neves Mascarenhas

Abstract


Introdução:    A doença celíaca (DC) é uma patologia imunomediada da mucosa intestinal, na qual há intolerância ao glúten em pacientes geneticamente suscetíveis. A relação da doença com a fertilidade existe, porém sua fisiopatologia é controversa e observa-se a influência principalmente em pacientes não tratadas.

Metodologia: Realizou-se uma revisão de literatura nas bases de dados da PubMed, SciELO. Como descritores utilizou-se ‘’doença celíaca’’, ‘’fertilidade’’, ‘’inflamação’’, sendo encontrados artigos entre os anos de 2006 e 2020. Foram selecionados para esse estudo 7 artigos nos idiomas inglês, espanhol e português que descreviam a relação da doença celíaca e a fertilidade.

Discussão: A doença celíaca (DC) é caracterizada por uma inflamação crônica devido a ativação exacerbada do sistema imune, gerada pela exposição aos peptídeos do glúten. Possui uma variedade de manifestações, decorrente de alterações na histologia das vilosidades da mucosa intestinal, podendo resultar na síndrome de má absorção e gerar manifestações extraintestinais, inclusive no sistema reprodutor.

No que tange a fertilidade, estudos demonstram que em mulheres celíacas não tratadas há um aumento na taxa de abortos espontâneos, menarca tardia, tempo de reprodução menor, dificuldade na concepção do primeiro filho, parto prematuro e retardo de crescimento intrauterino. Quanto ao gênero, alterações na fertilidade em homens celíacos também podem ocorrer, porém em uma menor proporção.

No geral, acredita-se que as manifestações são decorrentes de mecanismos imunomediados além da deficiência de nutrientes. Os autoanticorpos para DC materna são capazes de se ligar à transglutaminase placentária e mutações genéticas facilitariam a formação de microtrombos. Por outro lado, a gravidez com a exposição materna a antígenos fetais pode suscitar o desenvolvimento da DC.

Estudos afirmam que o não diagnóstico da DC seria um facilitador para a infertilidade, contudo, após o tratamento com uma dieta sem glúten e melhora no estado nutricional, resultados desfavoráveis como taxas de abortamento podem ser corrigidos.

Conclusão:    A DC não tratada é um fator de risco para a fertilidade das mulheres, devido a alterações imunológicas que repercutem no sistema reprodutor. Com o tratamento da doença subjacente é possível perceber melhores resultados reprodutivos. Assim, por ser uma doença que pode gerar um risco a fertilidade e por vezes se manifestar como uma doença silenciosa, deve-se considerar o rastreamento e pesquisa da doença celíaca. Ainda, é necessário a realização de mais estudos sobre a fisiopatologia e custo efetividade do rastreamento em pacientes inférteis.


Keywords


fertilidade, doença celíaca, complicações reprodutivas, fatores de risco.

References


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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv4n2-276

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