Perfil epidemiológico das notificações de lesão autoprovocada no Acre de 2009 a 2017 / Epidemiological profile of notifications of self-spoked violence in Acre from 2009 to 2017

Maria Fernanda Dávalos da Silva, Carlos Antônio de Arroxelas Silva, Paulo Artur da Silva Rodrigues, Carmem Lúcia de Arroxelas Silva, Leuda Maria da Silva Dávalos

Abstract


Introdução: a tentativa e óbito por suicídio se configuram como um problema de saúde pública tanto para o Brasil quanto para todo o mundo, tendo aumentado nas últimas décadas, principalmente entre a população mais jovem. A motivação para o ato de cessação da própria vida é complexo e envolve aspectos biopsicossociais, bem como as redes de relações daquele indivíduo. Prevenção e promoção à saúde é fundamental e para isso é necessário um sistema de informação e uma rede de atenção à saúde adequados. Objetivo: o objetivo do estudo é identificar o perfil epidemiológico das notificações de violência autoprovocada no Acre de 2009 a 2017. Materiais e Métodos: trata-se de estudo transversal com dados retrospectivos, utilizando dados obtidos a partir do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) de casos de violência autoprovocada na população do Acre, notificadas de 2009 a 2017. As variáveis analisadas foram: sexo biológico; ano; grupo etário; raça/cor; violência; municípios. Para a análise estatística, foram realizados frequência relativa e absoluta utilizando o Software GraphPad Prism 5.0. Resultados: o estudo mostrou que o perfil epidemiológico foi de pessoas de sexo biológico feminino, com idade compreendida no intervalo 20 a 29 anos, com escolaridade de ensino fundamental incompleto, raça/cor do tipo parda. Além disso, houve mais notificações em Rio Branco, Brasiléia e Cruzeiro do Sul. Conclusão: os dados do levantamento das notificações do SINAN permitiram conhecer o perfil dos casos de violência autoprovocada no Acre evidenciando melhor as características da população e região. O aperfeiçoamento tanto do sistema de informação quanto da rede de atenção à saúde é necessário para uma promoção e prevenção mais adequadas.


Keywords


Violência autoprovocada, Suicídio, Acre, Saúde Pública

References


ALVES, V. M.; FRANCISCO, L. C.; MELO, A.R; NOVAES, C. R; BELO, F. M, NARDI, A. E. Trends in suicide attempts at an emergency department. Rev Bras Psiquiatr. ;39(1):55-61, 2017. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1516-4446-2015-1833.

AMAS, T. C. T. M.; WANG, W. P. Suicídio: estudos fundamentais. São Paulo (SP), Segmento Farma, 2004.

ARRUDA, L. E. S. et al. Lesões autoprovocadas entre adolescentes em um estado do nordeste do Brasil no período de 2013 a 2017. Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.4, n.1, p.105-118 jan/feb., 2021. Disponível em: . Acesso em: 15 fev. 2021.

BAUMAN, Z. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

BERNARDES, S.S.; TURINI, C.A; MATSUO, T. Perfil das tentativas de suicídio por sobredose intencional de medicamentos atendidas por um Centro de Controle de Intoxicações do Paraná, Brasil. Cad Saúde Pública. 26(7):1366-72, 2010. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2010000700015.

BOAS, A. C. V.; MONTEIRO, Q. R. S.; SILVA, R. P. M.; MENEGUETTI, D. U. O. Perfil das tentativas de suicídio atendidas em um hospital público de Rio Branco, Acre de 2007 a 2016. Journal Of Human Growth And Development, [S.L.], v. 29, n. 1, p. 57-64, 6 maio 2019. http://dx.doi.org/10.7322/jhgd.157750.

BRASIL. Lei nº 13.819, de 26 de abril de 2019. Institui a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio, a ser implementada pela União, em cooperação com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; e altera a Lei nº 9.656, de 3 de junho de 1998. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 26 de abril de 2019. Disponível em: . Acesso em: 06 out. 2020.

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria MS/GM no 3.088 de 23 de dezembro de 2011. Institui a Rede de Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) [Internet]. Diário Oficial da União, Brasília (DF), 2011.

CICOGNA, J.I.R.; HILLESHEIM, D.; HALLAL, A.L.L.C. Mortalidade por suicídio de adolescentes no Brasil: tendência temporal de crescimento entre 2000 e 2015. J Bras Psiquiatr [Internet]. 68(1):1-7, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0047-2085000000218.

DANTAS, E. S. O. Prevenção do suicídio no brasil: como estamos? Physis: Revista de Saúde Coletiva [online]. v. 29, n., 2009. https://doi.org/10.1590/s0103-73312019290303.

FERNANDES, F.Y.; FREITAS, B.H.B.M.; MARCON, S.R. et al. Tendência de suicídio em adolescentes brasileiros entre 1997-2016. Epidemiol Serv Saúde [preprint]. 21 p., 2020.

FERRIMAN, M. et al. Depression, acquired capability for suicide, and attempted suicide. Suicide Life-Threatening Behav., 2019.

GONCALVES, L. R. C.; GONCALVES, E.; OLIVEIRA JUNIOR, L. B. Determinantes espaciais e socioeconômicos do suicídio no Brasil: uma abordagem regional. Nova econ., Belo Horizonte, v. 21, n. 2, p. 281-316, 2011. Disponível em: . Acesso em 16 fev. 2021. https://doi.org/10.1590/S0103-63512011000200005.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo demográfico 2010. Disponível em https://censo2010.ibge.gov.br/sinopse/index.php?dados=0&uf=12. Acesso em: 14 fev. 2021.

LOVOSI, G.M. et al. Análise epidemiológica do suicídio no Brasil entre 1980 e 2006. Rev. Bras. Psiquiatria, 5 (11):86-93, 2009.

MARCOLAN, J. F.; SILVA, D. A. O comportamento suicida na realidade brasileira: aspectos epidemiológicos e da política de prevenção. Revista M. Estudos Sobre A Morte, Os Mortos e O Morrer, [S.L.], v. 4, n. 7, p. 31-44, 1 set. 2019. Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro UNIRIO. http://dx.doi.org/10.9789/2525-3050.2019.v4i7.31-44

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Mapa interativo de estabelecimentos da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Disponível em: . Acesso em: 16 dez 2020.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Vigilância em Saúde. Boletim Epidemiológico 24: perfil epidemiológico dos casos notificados de violência autoprovocada e óbitos por suicídio entre jovens de 15 a 29 anos no brasil, 2011 a 2018. Disponível em: . Acesso em: 03 out. 2020.

OLIVEIRA, S. M. C. et al. Epidemiologia de mortes por suicídio no acre. Revista Brasileira de Neurologia e Psiquiatria, 20(1): 25-36, 2016.

PACHECO, S. U. C.; RODRIGUES, S. R.; BENATTO, M. C. A importância do empoderamento do usuário de CAPS para a (re)construção do seu projeto de vida. Mental, Barbacena, v. 12, n. 22, p. 72-89, jun. 2018.

PENSO, M. A.; SENA, D. P. A. A desesperança do jovem e o suicídio como solução. Soc. estado. Brasília, v. 35, n. 1, p. 61-81, 2020.

RAMDURG, S.; GOYAL, S.; GOYAL, P.; SAGAR, R.; SHARAN, P. Sociodemographic profile, clinical factors, and mode of attempt in suicide attempters. Ind Psychiatry J. 20(1): 11-16, 2011. DOI: http://dx.doi.org/10.4103/0972-6748.98408

RIBEIRO, N. M. et al. Análise da tendência temporal do suicídio e de sistemas de informações em saúde em relação às tentativas de suicídio. Texto contexto - enferm., Florianópolis, v. 27, n. 2, 2018. Disponível em: . Acesso em 17 fev. 2021. https://doi.org/10.1590/0104-070720180002110016.

SANTOS, S. A; LOVISI, G.; LEGAY, L.; ABELHA, L. Prevalência de transtornos mentais nas tentativas de suicídio em um hospital de emergência no Rio de Janeiro, Brasil. Cad Saúde Pública. 25(9):2064-74, 2009. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2009000900020

SOUZA, L. D. M. et al. Ideação suicida na adolescência: prevalência e fatores associados. J. bras. psiquiatr., Rio de Janeiro, v. 59, n. 4, p. 286-292, 2010. Disponível em: . Acesso em: 16 fev. 2021. http://dx.doi.org/10.1590/S0047-20852010000400004.

STACK, S. Suicide: a 15-year review of the sociological literature Part I: cultural e economic factors. Suicide Life Threaten Behav, 30:145-62, 2000.

VALACH, L. A non-cartesian view of suicide and suicide prevention intervention. J Psychosoc Rehabil Ment Heal [Internet], 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s40737-020-00161-0. Acesso em: 14 nov. 2020.

TAVERAS, J. S. C. Suicídio na população negra brasileira: nota sobre mortes invisibilizadas. Revista Brasileira de Psicologia, 04(01), Salvador, Bahia, 2017.

VIDAL, C.E.L.; GONTIJO, E. C. D.; LIMA, L. A. Tentativas de suicídio: fatores prognósticos e estimativa do excesso de mortalidade. Cad Saúde Pública. 29(1):175-87, 2013. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2013000100020

WANZINACK, C.; TEMOTEO, A; OLIVEIRA, A.L. Mortalidade por suicídio entre adolescentes/jovens brasileiros: um estudo com dados secundários entre os anos de 2011 a 2015. [email protected]! [Internet]. 10(2):106-17, 2017. Disponível em: http://dx.doi.org/10.5380/diver.v10i2.54974

WERNECK, G.L.; HASSELMANN, M. H.; PHEBO, L. B.; VIEIRA, D.E.; GOMES, V. L. O. Tentativas de suicídio em um hospital geral no Rio de Janeiro, Brasil. Cad Saúde Pública. 22(10): 2201-6, 2006. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2006001000026




DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv4n2-186

Refbacks

  • There are currently no refbacks.