Prevalência de sintomas depressivos em adolescentes agressores e vítimas de Bullying/ Prevalence of depressive symptoms in adolescent aggressors and victims of Bullying

Laura Nunes Granado, Natasha Carolina da Costa Carreño Baeta, Juliana Kessar Cordoni, Lígia de Fátima Nobrega Reato

Abstract


O bullying é definido como um comportamento repetitivo caracterizado por agressões verbais, físicas ou psicológicas praticadas intencionalmente a fim de prejudicar ou perturbar um indivíduo ou um grupo que se encontra em desvantagem de poder e de controle da situação. Está associado a efeitos negativos à saúde mental, social e física da vítima e do agressor. No Brasil existem poucos estudos que investigam as consequências do bullying entre adolescentes levando em consideração os diferentes papéis (agressores exclusivos, vítimas exclusivas e agressores/vítimas). O presente estudo teve como objetivo analisar e averiguar a prevalência de sintomas depressivos de acordo com os diferentes modos de envolvimento no bullying entre adolescentes. Para a coleta de dados, foram aplicados o Questionário de Bullying de Olweus - Versão Agressor e Questionário de Bullying de Olweus – Versão Vítima para identificação do tipo de envolvimento no bullying e, Questionário Sobre a Saúde do/a Paciente (PHQ-9) para detecção dos sintomas depressivos. Participaram do estudo 19 adolescentes que estavam em acompanhamento psicológico ou terapêutico ocupacional, no Centro de Referência Cidadão Esperança/Instituto de Hebiatria do Centro Universitário Saúde ABC, na cidade de Santo André no estado de São Paulo. Em uma análise descritiva dos dados, 63,16% dos participantes era do gênero feminino e a idade média encontrada foi 14,26 anos (DP=2,16). Observou-se que 68,42% dos adolescentes estavam envolvidos em situações de bullying, sendo 31,58% vítimas, 36,84% agressores/vítimas. O estudo não identificou agressores exclusivos de bullying. Notou-se que os adolescentes com experiências no bullying tinham maiores chances de apresentar sintomas depressivos do que os sem envolvimento.  Constatou-se que a taxa de prevalência de sintomas depressivos foi de 100,00% tanto para adolescentes vítimas, quanto para agressores/vítimas de bullying. Além disso, foi observado que as vítimas exclusivas relataram níveis mais graves de sintomas depressivos do que os agressores/vítima. Os resultados apontaram a necessidade de programas de intervenção, ações de saúde, reflexões e discussões acerca do bullying para as equipes multiprofissionais e aos pais, aumentando assim, o nível de assistência aos adolescentes.


Keywords


Adolescente, Bullying, Depressão, Hebiatria; Prevalência, Terapia Ocupacional.

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv4n2-161

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