Nutrição enteral precoce em paciente crítico pediátrico: evolução da conduta nutricional e desfecho clínico / Early enteral nutrition in pediatric critical patient: evolution of nutritional conduct and clinical outcome

Giana Carla Lins de Albuquerque Meireles, Ana Cláudia Vieira Gomes, Edcleide Oliveira dos Santos Olinto, Mirela Ribeiro Barreto, Ingrid Gianny dos Santos Batista

Abstract


Objetivo: Avaliar a associação da nutrição enteral precoce (NEP) com o alcance das cotas calórico-proteicas, tempo de internação, tempo de uso de ventilação mecânica e desfecho clínico, bem como, detectar os fatores causais para introdução tardia e interrupção da dieta.

Métodos: Foi realizado um estudo prospectivo com crianças e adolescentes internados em unidade de terapia intensiva (UTI) e que tiveram a nutrição enteral como dieta na internação, no período de dezembro de 2015 a agosto de 2016, em um complexo hospitalar pediátrico de referência no estado da Paraíba, totalizando uma amostra de 54 pacientes.

Resultados: A amostra foi homogênea quanto ao gênero, com predominância de lactentes (75,9%) e a média de internação na UTI foi de 14,4 ± 18,3 dias. A nutrição enteral (NE) foi iniciada precocemente em 57,4% dos pacientes e a NEP influenciou positivamente no alcance mais rápido das cotas calórica e proteica recomendadas para o quadro clínico (p=0,01 e p=0,04, respectivamente) e em menor tempo de uso de ventilação mecânica (p=0,04). Não foi observada, entretanto, associação da NEP com a interrupção da dieta (p=0,38), tempo de internação na UTI (p=0,06) e desfecho clínico (p=0,50). O principal fator causal para início tardio da NE e para interrupção da dieta foi a presença de resíduo gástrico (43,5% e 38,5%, respectivamente).

Conclusão: Os achados apresentados neste estudo evidenciam a necessidade de um adequado monitoramento, por parte dos profissionais de saúde, da introdução do suporte nutricional adequado, em tempo hábil, das crianças e adolescentes admitidos em UTI pediátrica.


Keywords


Terapia nutricional, Unidade de terapia intensiva, Pediatria.

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv4n1-134

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