Protocolo de transfusão maciça na emergência: uma revisão sistemática / Massive emergency transfusion protocol: a systematic review

Flavia Germano de Carvalho, Luiza Correia Rauta, Sirlei Pizzatto Cher

Abstract


1 INTRODUÇÃO

A primeira transfusão com sangue humano foi atribuída a James Blundell, em 1818, que após realizar com sucesso experimentos em animais, transfundiu sangue em mulheres com hemorragias pós-parto (SCHMOTZER et al., 1985).  De acordo com o Protocolo de Transfusão Maciça no Trauma de Uberlândia (2018), hemorragia é a principal causa evitável de morte em pacientes traumatizados, sendo necessária a realização da transfusão maciça de sangue, já que a aplicação precoce dos protocolos reduz a mortalidade em 25%.

 

2 OBJETIVO

Este trabalho visa a realização de uma revisão sistemática sobre o protocolo de transfusão maciça na emergência, abordando historicamente sua utilização e suas implementações e importância no cenário atual.

 

3 METODOLOGIA

Para realizar esta revisão, foram utilizadas publicações sobre o tema localizadas em bases de dados nacionais e internacionais, livros e sites de instituições reconhecidas na área.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

A circulação e controle de hemorragia fazem parte da terceira etapa (C) do ABCDE do trauma, protocolo utilizado mundialmente para os primeiros atendimentos de vítimas que sofreram algum tipo de traumatismo ou acidente. A definição de hemorragia é a perda de volume sanguíneo de forma aguda (ATLS®, 2012). Nas hemorragias internas, as origens principais compreendem as áreas do tórax, abdômen, retroperitônio, bacia e ossos longos. Esse tipo de hemorragia é a principal causa de choque no trauma, e deve ser rapidamente identificado por meio do exame físico, ultrassonografia direcionada para o trauma (FAST) e/ou exames radiológicos.  O objetivo do tratamento é realizar o controle da hemorragia e reestabelecer o volume sanguíneo adequado. As hemorragias são divididas em quatro classes, sendo a classe IV a que tem mais de 40% de perda sanguínea. Os sinais e sintomas incluem taquicardia acentuada, diminuição significativa da pressão sistólica, pressão diastólica não mensurável e vasoconstricção cutânea (ATLS®, 2012). Tais pacientes usualmente exigem transfusão maciça, definida atualmente como > 10 unidades de pRBCs (concentrado de hemácias), plasma e plaquetas em proporção equilibrada, nas primeiras 24 horas da admissão ou mais de 4 unidades em 1 hora (ATLS®, 2018).  Quando o paciente necessita de mais de 10 bolsas de hemácia em 24h, ou > 4 bolsas em 1 hora, recomenda-se transfusão empírica de plasma e plaquetas na proporção 1:1:1. O atual protocolo difere do antigo (ATLS®, 2012) na regra de reposição, na qual era válida a proporção de 3:1, indicando reposição de 300ml de solução eletrolítica para cada 100ml de perda sanguínea. É valido lembrar que é perigoso esperar a realização da classificação fisiológica da hemorragia, então todo paciente deve receber reposição de fluídos e controle da hemorragia quando apresentar os sinais iniciais do choque, até que se prove o contrário.

 

5 CONCLUSÃO

Conclui-se que o seguimento dos protocolos é essencial para o sucesso no tratamento do paciente que necessite de transfusão maciça. O atual protocolo permite constatar que a administração precoce de PRBCs ajuda a diminuir o fornecimento de cristaloides, aumentando a sobrevida do paciente.


Keywords


ATLS, transfusão, maciça, protocolo, choque hipovolêmico, hemorragia.

References


ATLS® - Advanced Trauma Life Support for Doctors. American College of Surgeons. Capítulo 3, p. 62-81. 9a. Ed.2012.

ATLS® - Advanced Trauma Life Support for Doctors. American College of Surgeons. Capítulo 3, p. 43-61. 10a. Ed.2018.

GOMES, Heitor L. Protocolo de Transfusão Maciça No Trauma 2018. Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2018. 165 slides. Disponível em

JUNQUEIRA, Pedro C.; ROSENBLIT, Jacob; HAMERSCHLAK, Nelson. História da Hemoterapia no Brasil. Rev. Bras. Hematol. Hemoter., São José do Rio Preto, v. 27, n. 3, p. 201-207, Sept. 2005.

SCHMOTZER, W.B. et al. Time-saving techniques for collection, storage and administration of equine blood and plasma. Vet. Med., v.80, n.2, p.89-94, 1985.




DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv4n1-127

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