Avaliação das causas da insegurança nos Acadêmicos de Medicina na introdução da Prática Ambulatorial / Evaluation of the causes of insecurity in Medical Students in the introduction of Ambulatory Practice

Nathálya Elane Paes de Vilhena, Michelle Gonçalves Maués, Natália da Silva Streithorst Ornela, Bianca da Silva Streithorst Ornela, Luciana Brandão Carreira

Abstract


Introdução: Na passagem do segundo para o terceiro ano do curso de medicina o aluno se depara com uma mudança inédita: o momento em que ele, pela primeira vez, se insere em atividades clínicas reais, de maneira sistematizada. O processo de mudança do ambiente simulado para o ambiente ambulatorial, com pacientes que são pessoas reais, não atores, é um grande desafio para muitos alunos: angústia, frustrações, insegurança, dúvidas e medos fazem parte desse processo. Objetivos: O presente trabalho analisa as possíveis causas da insegurança sentida pelos acadêmicos de medicina durante o período da introdução das práticas ambulatoriais, no quinto e sexto período do curso, de uma unidade de ensino superior particular, que adota as metodologias ativas de ensino. Metodologia: Trata-se de um estudo transversal e descritivo, com abordagem quantitativa, realizado no Centro Universitário do Estado do Pará (CESUPA), no período de janeiro de 2019 a dezembro de 2019. Os dados foram coletados através de protocolo de pesquisa produzido pelos autores, com 73 acadêmicos regularmente matriculados no curso de medicina do CESUPA, com compilação dos dados coletados utilizando o software Excel 2010 e analisados por meio do software Spss 20.0. Resultados: dos estudantes envolvidos, 63.01% cursavam o quinto ano e 36.99% o sexto ano; com a média de idade de 22.60 no sexo feminino e de 22.23 no sexo masculino; 52.05% relataram nervosismo antes de iniciar a prática ambulatorial, a maior parte relatou insegurança na realização da anamnese sozinho durante a prática ambulatorial ou quanto à realização do exame físico sozinho; quanto aos questionamentos dos docentes: a maior parte dos entrevistados relatou insegurança a respeito do exame físico, a respeito dos exames laboratoriais, a respeito dos exames de imagens, e da escolha da terapêutica medicamentosa. Poucos acadêmicos relataram segurança ao consultar pacientes com alguma alteração do estado mental (8.22%); em relação a dar uma má notícia ao paciente, todos se disseram inseguros em algum grau. Discussão: As principais inseguranças observadas foram quanto ao diagnóstico e conduta medicamentosa, habilidades que são desenvolvidas no decorrer da prática clínica e não são o principal foco durante o primeiro ano desta, com sensação de incompetência pelos alunos por se sentirem cobrados em habilidades que ainda não conseguem demonstrar.  Grande parte da angústia desse estudante se dá pela ansiedade de querer antecipar habilidades que requerem anos para serem construídas e não se darão no contato inicial com o paciente. Conclusão: É fundamental que o curso médico ofereça espaços de elaboração subjetiva, em que a competência narrativa se apresente através não somente do diálogo e da reflexão, e que o aluno se sinta mergulhado em uma atmosfera de acolhimento em todos os períodos do curso, mediados por professores, médicos ou psicólogos preparados, em que possam discutir seu aprendizado, relacionamentos e inquietações, tanto quanto o eventual sofrimento decorrente do contato com o paciente e os desafios gerais da prática médica.

 


Keywords


Educação médica; Estágio clínico; Saúde mental; Saúde do estudante.

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv3n6-069

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