Exercício físico, rendimento acadêmico e sintomas de overtraining em estudantes de medicina / Physical exercise, academic performance and overtraining symptoms in medicine students

Domênica Baroni, Monique das Neves Silva, Paula de Marsillac, Octavio Tomé, Thiago Teixeira Guimarães

Abstract


Introdução: O exercício físico regular parece apresentar benefícios até o desenvolvimento do overtraining, que compromete o desempenho e a saúde. Objetivo: Verificar se o rendimento acadêmico de graduandos em medicina está correlacionado com o estado de overtraining, além de comparar seus sinais entre praticantes de diferentes quantidades de exercício. Metodologia: A amostra consistiu de 107 estudantes assintomáticos do curso de medicina da UERJ. Foi utilizada uma anamnese para coletar informações que caracterizassem a amostra, além das horas de sono e status de atividade física. Três grupos foram estabelecidos: insuficientemente ativos (n=35), moderadamente ativos (n=57) e superativos (n=15). Foi aplicado o Questionário de Sintomas Clínicos do Overtraining para a comparação entre grupos, onde quanto maior a pontuação, mais evidentes seus sintomas. O rendimento acadêmico foi obtido através do resultado da avaliação curricular nas disciplinas com maior carga horária em seus respectivos períodos (Anatomia II para o segundo ano, Microimunologia I para o terceiro ano, e Clínica Médica e Propedêutica II para o quarto ano, com pontuação variando entre zero a 10. Resultados: Não houve diferença estatística significativa, através da correlação não paramétrica de Spearman, entre os escores de overtraining e o rendimento acadêmico (rs=-0,058; p=0,554). A ANOVA de uma entrada indicou diferença estatística significativa nos escores de overtraining entre insuficientemente ativos (36,31 ± 17,3) e moderadamente ativos (28,15±14,17) (p<0,01), entre insuficientemente ativos e superativos (14,66±8,86) (p<0,001) e entre moderadamente ativos e superativos (p<0,01). Conclusão: O rendimento acadêmico não foi afetado pelo estado de fadiga acumulada, porém, pessoas insuficientemente ativas podem ser acometidas por sintomas característicos do excesso de estresse provocado pelo exercício. Existem questões relacionadas ao desenvolvimento da exaustão física e emocional que não são justificadas exclusivamente por parâmetros clássicos de sua prática, como por exemplo, o tipo, frequência, intensidade, duração e intervalo do exercício.

Keywords


Supertreinamento, Excesso de Exercício, Psicobiologia, Cognição.

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv3n5-255

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