Perfil clínico-espirométrico dos pacientes de um centro de especialidades médicas em Belém – PA / Clinical-spirometric profile of patients at a medical speciality center in a Belém-PA

José Tadeu Colares Monteiro, Ana Caroline Coelho Gomes, Letícia Pinheiro Nascimento, Ana Katarina Marques de Lima, Layse Alice Carvalho Gonçalves, Layse Melo Menici Ayres, Stéphanie De Windson Navarro Cruz, Erick Garcia Castro, Marina Assis da Escóssia Fernandes, Luíza Pinheiro Nascimento

Abstract


Objetivo: O objetivo do estudo consiste em avaliar o perfil clínico-espirométrico dos pacientes atendidos pelo Centro de Especialidades Médicas do Centro Universitário do Estado do Pará (CEMEC-CESUPA).  Métodos: Estudo aprovado pelo comitê de ética em pesquisa do tipo transversal, com coleta de dados nos prontuários dos pacientes que realizaram espirometria no Ambulatório de Pneumologia no período de 2017 e 2018. Foram avaliadas variáveis como sexo, faixa etária, indicação para realização da espirometria, tabagismo, sinais e sintomas, alterações no exame físico e padrões da espirometria. Os dados foram obtidos através de avaliação do protocolo de espirometria e laudos dos exames, que totalizaram 252 prontuários. A estatística analítica foi utilizada para avaliar os resultados das variáveis categóricas da amostra através dos Testes G e Qui-Quadrado Aderência para tabelas univariadas. Teste Qui-Quadrado Independência e Partição nas tabelas bivariadas. Resultados: Foram analisados 252 prontuários, sendo 162 (64,3%) de pacientes do gênero feminino e 90 (35,7%) do sexo masculino, com idades variando de menor de 18 anos até maiores de 60 anos. Sobre tabagismo, os não fumantes representaram uma proporção estatisticamente significantes de 52% e os ex-tabagistas a segunda maior proporção com 40,1%. O cigarro industrializado foi o tipo de fumo mais utilizado (86,8%). A carga tabágica mais prevalente foi a de <20 maços/ano (51,2%). A tosse e a dispneia foram os sintomas mais encontrados, com valores de 78,6% e 68,6% respectivamente. 155 pacientes não apresentaram alteração no exame físico. A elucidação diagnóstica foi a indicação para realização da espirometria com maior proporção entre as demais (58,7%). A asma foi a doença que mais se apresentou significante, tanto na elucidação diagnóstica (29,7%), quanto no segmento de pneumopatia (46,4%). A DPOC aparece em segundo lugar com 21,6% dos casos. Dentre os resultados da espirometria, foram encontrados 115 (45,6%) pacientes com exames normais, 70 (27,8%) com exames alterados e 67 (26,6%) deles, não conseguiram realizar o exame. As obstruções, com ou sem redução de CVF (28,6% e 25,7% respectivamente) e o resultado inespecífico (27,1%) foram mais predominantes no estudo Conclusão: Encontrou-se maioria do sexo feminino, com idade >60 anos, não tabagista e, dentre os ex-tabagistas, carga tabágica <20 maços/ano. Os sinais e sintomas mais prevalentes foram dispneia e tosse, e a maior parte dos pacientes não apresentaram alteração no exame físico. Em relação à indicação para espirometria, a elucidação diagnóstica foi a mais utilizada. Pacientes sem alterações no exame físico e não tabagistas, apresentaram maior proporção de normalidade no exame. Os pacientes com idades iguais ou maiores que 45 anos apresentaram mais alterações ou não conseguiram executar o exame. O padrão de normalidade na espirometria foi o mais encontrado nos pacientes, e uma proporção significativa não conseguiu realizar o exame. Dentre as alterações, as obstruções com ou sem redução do CVF foram as mais encontradas.


Keywords


Espirometria, Pneumopatias, Perfil epidemiológico, Ambulatorial.

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