Perfil epidemiológico dos atendimentos antirrábicos humanos no Estado de Roraima, Brasil/ Epidemiological profile of human antirrabic care in the State of Roraima, Brazil

Maria Soledade Garcia Benedetti, Emerson Ricardo de Sousa Capistrano, Márcio Gustavo Borges, José Vieira Filho

Abstract


O objetivo do estudo é descrever o perfil epidemiológico dos atendimentos antirrábicos humanos ocorridos no estado de Roraima, Brasil, no período de 2007 a 2019. Método: Estudo descritivo retrospectivo referente ao atendimento antirrábico humano notificado no Sistema de Informação de Agravos de Notificação. Foram utilizadas variáveis sociodemográficas e variáveis específicas (tipo de exposição ao vírus rábico, localização, tipo e extensão do ferimento, espécie do animal agressor, profilaxia indicada). Para a análise dos dados descritivos foram empregadas frequências simples e relativas e usados os softwares TabWin 4.1.3 e Microsoft Excel. Resultados: Ocorreram 34.515 notificações de atendimento antirrábico humano, uma média de 2.655 ao ano. O município de Boa Vista concentrou 83,5% dessas notificações. As variáveis sociodemográficas mais frequentes foram: faixa etária de 5 a 9 anos (14,5%), sexo masculino (58,8%), raça/cor parda (71,4%), escolaridade com ensino básico incompleto (12,0%) e residência na zona urbana (92,1%). A exposição por mordedura correspondeu a 93,0%, ferimento profundo a 46,8% e ferimento único a 54,1% dos atendimentos. Os locais mais acometidos foram os membros inferiores (42,2%) e os mãos/pés (32,4%). A espécie animal agressora mais frequente foi a canina com 86,8% dos atendimentos. A indicação da vacina ocorreu em 41,6%, observação + vacina (40,7%) e soro + vacina (2,3%) dos atendimentos. Conclusão: Ficou evidenciado uma alta ocorrência de acidentes com animais domésticos potencialmente transmissores de raiva no estado de Roraima, diante desse fato, torna-se necessário ter alta cobertura vacinal antirrábica desses animais com o propósito de prevenir a raiva animal e consequentemente a raiva humana.


Keywords


Atendimento antirrábico, Epidemiologia, Estado de Roraima.

References


ALONSO BPM. Estudo dos casos de agressões por cães no município de Araraquara, estado de São Paulo, Brasil. Araraquara: Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, 2005.

BENEDETTI MSG, CARBONELL RCC, ASATO MA, BESSA CMC, OLIVERIA RAB, LIMA JM, PEZENTE LG, AZEVEDO RNC, CAPISTRANO E, FEITOSA MC, MARTINS, AG, MENEZES CAR. Presentación de un caso: rabia humana en Boa Vista, Roraima, Brazil. XVIII Congresso Panamericano de Infectologia. VI Congresso Nacional de Enfermidades Infecciosas. Panamá, 2017.

BENEDETTI MSG, TAMLOC JCK. Atendimiento antirabico humano: analisis epidemiológico de los casos notificados en Roraima,

Brasil de 2000 a 2015. XVIII Congresso Panamericano de Infectologia. VI Congresso Nacional de Enfermidades Infecciosas. Panamá, 2017.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Normas técnicas de profilaxia da raiva humana. Brasília: Ministério da Saúde, 2011.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Guia de Vigilância em Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. 812 p.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Boletim epidemiológico: Perfil dos atendimentos antirrábicos humanos, Brasil, 2009-2013. Brasília: Ministério da Saúde, v. 4, n. 30, 2016.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Coordenação Geral de Desenvolvimento da Epidemiologia em Servicos. Guia de Vigilância em Saúde. 3a ed. Brasilia: Ministério da Saúde, 2019. 740 p.

BUSATTO VM, MORIWAKI AM, MARTINS DAC, HORÁCIO PM, UCHIMURA NS, UCHIMURA TT. Perfil do tratamento profilático antirrábico humano no sul do Brasil. Ciência Cuidado e Saúde, v. 13, n. 4, p. 617-624, 2014. https://doi.org/10.4025/cienccuidsaude.v13i4.16739.

BUSO DS, NUNES CM, QUEIROZ LH. Características relatadas sobre animais agressores submetidos ao diagnóstico de raiva, São Paulo, Brasil, 1993-2007. Cadernos Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 25, n.12, p. 2747-2751, 2009. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2009001200021.

CARRIERI ML, TAKAOKA NY, KOTAIT I, GERMANO PML. Diagnóstico clínico-epidemiológico da raiva humana: dados do Instituto Pasteur de São Paulo do período de 1970-2002. BEPA, v.29, p. 2-8, 2006.

CARVALHO WO, SOARES DFP DE P, FRANCESCHI VCS. Características do atendimento prestado pelo serviço de profilaxia da raiva humana na rede municipal de Saúde de Maringá-Paraná, no ano de 1997. Informe Epidemiológico do SUS, v. 11, n.1, p. 25-35, 2002. http://dx.doi.org/10.5123/S0104-16732002000100004.

CARVALHO CC, SILVA BTF. Características epidemiológicas de acidentes por mordedura de cão atendidos em unidade básica de saúde no nordeste do Brasil. RBPS, v. 20, n. 1, p. 17-21, 2007. https://doi.org/ 10.5020/18061230.2007.p17

CAVALCANTE KK, FLORÊNCIO CM, ALENCAR CH. Profilaxia antirrábica humana pós-exposição: características dos atendimentos no estado de Ceará, 2007-2015. Journal Health Biology and Science, v. 5, n. 4, p. 337-345, 2017. http://dx.doi.org/10.12662/2314-3076.

MOREIRA AAM, LIMA MM. Conduta dos profissionais de saúde pública frente ao atendimento antirrábico humano no município de primavera do leste-MT. Rev Epidemiol Control Infect., v. 3, n. 4, p. 139-143, 2013.

CENTRO PANAMERICANO DE FIEBRE AFTOSA. Boletín de Vigilância Epidemiológica de La Rabia em las Américas, 2000; XXX I I:10-2. [internet]. 2000 [acessado em mai 2020]. Disponível em: http://bvs.panaftosa.org.br/textoc/bolvera2000.pdf

CENTRO PANAMERICANO DE FIEBRE AFTOSA. Boletín de Vigilância Epidemiológica de La Rabia em las Américas. XXX I I I:12. [internet]. 2001 [acessado em mai 2020]. Disponível em: http://bvs.panaftosa.org.br/textoc/bolvera2001.pdf

CENTRO PANAMERICANO DE FIEBRE AFTOSA. Boletín de Vigilância Epidemiológica de La Rabia em las Américas, 2002; XXXIV: 15. [internet]. 2002 [acessado em mai 2020]. Disponível em: http://bvs.panaftosa.org.br/textoc/bolvera2002.pdf

CENTRO PANAMERICANO DE FIEBRE AFTOSA. Boletín de Vigilância Epidemiológica de La Rabia em las Américas, 2003; XXXV: 11. [internet]. 2003 [acessado em mai 2020]. Disponível em: http://bvs.panaftosa.org.br/textoc/bolvera2003.pdf

CENTRO PANAMERICANO DE FIEBRE AFTOSA. Boletín de Vigilância Epidemiológica de La Rabia em las Américas, 2004; XXXVI: 11. [internet]. 2004 [acessado em mai 2020]. Disponível em: http://bvs.panaftosa.org.br/textoc/bolvera2004.pdf

CIAMPO LA, RICCO RG, ALMEIDA CA, BONILHA LRCM, SANTOS TCC. Acidentes de mordeduras de cães na infância. Rev Saude Publica, v. 34, n. 4, p. 411-412, 2000. http://dx.doi.org/10.1590/S0034-89102000000400016.

FERRAZ L, BUSATO MA, FERRAZZO JF, RECH AP, SILVA PS. Notificações dos atendimentos antirrábico humano: perfil das vítimas e dos acidentes. Revista Brasileira de Geografia Médica e da Saúde. Hygeia, v. 9, n. 16, p. 182 - 189, 2013. ISSN: 1980-1726.

FRIAS DFR. Profilaxia antirrábica humana: proposta de uma nova metodologia de ação. [tese de doutorado]. Jaboticabal: Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, 2012.

GARCIA RCM, VASCONCELLOS AS, SAKAMOTO SM, LOPEZ AC. Análise de tratamento antirrábico humano pós-exposição em região da Grande São Paulo, Brasil. Rev Saúde Pública, v. 33, n. 3, p. 295-301, 1999.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Estimativa populacional 2019. [Internet] 2020. [acessado em 27 Jul 2020]. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/rr/panorama

LIMA V. Proporcionalmente, Roraima tem a maior população indígena do país. G1. 28/04/2013. Disponível em: http://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2013/04/proporcionalmente-roraima-tem-maior-populacao-indigena-do-pais.html

LIMA ECF, FARIA MD, MORAIS RMRBL, OLIVEIRA LMSR, LIMA EHF, COSTA CS. Interações entre meio ambiente, atendimentos antirrábicos e acidentes por animais peçonhentos no município de Petrolina (PE). Saúde Meio Ambiente, v. 6, n. 1, p. 54-70, 2017. https://doi.org/10.24302/sma.v6i1.1130.

LIPPOLIS M, DUTRA SOBRINHO JP, BENITES NR. Epidemiologia e avaliação dos fatores de risco associados a acidentes por mordedura de cães em humanos, no município de Guarulhos, estado de São Paulo, de 1997-2003. Arq Inst Biol, v. 71 (Supl.), p. 375-377, 2004.

LOPES JTS, SILVA SB, MOTA D, VALENTE SF, VILGES KMA, OLIVEIRA SV, ARAÚJO WN, PINTO JUNIOR V.L. Análise dos acidentes por animais com potencial de transmissão para raiva no município de Caçapava do Sul, Estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Revista Medicina e Saúde de Brasília, v. 3, n. 3, p. 210‐23, 2014. ISSN 2238-5339.

MACEDO LP, SILVA PLN. Atendimento anti-rábico humano: uma análise epidemiológica dos casos atendidos em 2010 na cidade de Montes Claros, MG. Revista Digital. Buenos Aires, año 15, n. 166, 2012.

MOUTINHO FFB, NASCIMENTO ER, PAIXÃO RL. Raiva no Estado do Rio de Janeiro, Brasil: análise das ações de vigilância e controle no âmbito municipal. Ciência & Saúde Coletiva, v. 20, n. 2, p. 577-586, 2015. http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232015202.02352014.

NASCIMENTO AO, MATOS RAC, CARVALHO SM, CORRÊA VAF, FREIRE MAM. Perfil epidemiológico do atendimento antirrábico humano em uma área de planejamento do município do Rio de Janeiro. REME - Rev Min Enferm., v. 23:e-1216, 2019. https://doi.org/ 10.5935/1415-2762.20190064.

OLIVEIRA VMR, PEREIRA PLL, SILVA JÁ, MIRANDA CFJ, RODRIGUES KO, RODRIGUES TO, MOREIRA E. C. Mordedura canina e atendimento antirrábico humano em Minas Gerais. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v. 64, n. 4, p. 891-898, 2012. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-09352012000400016.

PARANHOS NT, SILVA EA, BERNARDI F, MENDES MCNC, JUNQUEIRA DMAG, SOUZA IOM, ALBUQUERQUE JOM, ALVES JCM, PEREIRAJ, BOSCHETTI MA, PEREIRA J. Estudo das agressões por cães, segundo tipo de interação entre cão e vítima, e das circunstâncias motivadoras dos acidentes, município de São Paulo, 2008 a 2009. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v. 65, n. 4, p. 1033-1040, 2013. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-09352013000400014.

PEREIRA J, BOSCHETTI MA, PEREIRA J. Estratégias de gestão para melhoria no atendimento antirrábico humano em Florianópolis. In: PEREIRA MF, COSTA AM, MORITZ GO, BUNN DA. Contribuições para a Gestão do SUS. Gestão da Saúde Pública. Florianópolis: Fundação Boiteux, v. 10, 2016.

PEREIRA FILHO M, SILVA LMC. Aspectos Epidemiológicos da Raiva no Estado da Bahia período: 1979 a 1980. Rev Baiana Saúde Públ, v. 9, n .1, p.16-19, 1982.

PINTO CL, ALLEONI ES. Aspectos da vigilância epidemiológica da raiva em sub-regiões administrativas do Estado de São Paulo, Brasil, 1982-1983. Rev Saúde Pública, v. 20, n. 4, p. 288-292, 1986.

POERNER ALP. Tendência e características do atendimento antirrábico humano pós-exposição na Região Centro-Sul Fluminense, 2000-2005. [dissertação de mestrado]. Rio de Janeiro: Instituto de Veterinária; Departamento de Parasitologia Animal, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, 2007.

QUEIROZ LH, BUSO DS, SILVA JE. Aspectos epidemiológicos das agressões por cães sob o ponto de vista do cão agressor e das vítimas. Veterinária e Zootecnia, v. 20, n. 3, p. 296-306, 2013.

RIGO L, HONER MR. Análise da profilaxia da raiva humana em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil, em 2002. Cad Saúde Pública, v. 21, n. 6, p. 1939-1945, 2005. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2005000600044.

RIO GRANDE DO SUL. Secretaria Estadual da Saúde. Centro Estadual de Vigilância em Saúde. Boletim Epidemiológico v. 7, n. 3, p. 1-4, 2005.

ROLIM RLP, LOPES FMR, NAVARRO IT. Aspectos da vigilância epidemiológica no município de Jacarezinho, Paraná, Brasil, 2003. Semina: Ciências Agrárias, v. 27, n. 2. p. 271-280, 2006. http://dx.doi.org/10.5433/1679-0359.2006v27n2p271.

SALVI FI, DE PAULA JM, LUTINSKI JÁ, FRITZEN DMM, GIACHINI K, SCHABAT FM, BUSATO MA. Perfil epidemiológico dos atendimentos antirrábicos humanos no município de Chapecó, SC. RIES. Caçador, v.7, nº 1, p. 176-186, 2018. ISSN 2238-832X.

SCHNEIDER MC, ALMEIDA GA, SOUZA LM, MORARES NB, DIAZ RC. Controle da raiva no Brasil de 1980 a 1990. Rev Saúde Pública, v. 30, n. 2, p. 196-203, 1996.

SILVA CJ, BELO MAA. Censo canino e felino: sua importância no controle de zoonoses na cidade de Cacoal – RO. Enciclopédia Biosfera, v. 11 n. 21, p. 3368-3373, 2015.

SILVA AF, COSTA, E. C. Acidentes rábicos: Um olhar sobre os fatores desencadeantes e seu mapeamento territorial em um município do Estado do Ceará. In: PEREIRA MF, COSTA AM, MORITZ GO, BUNN DA. (org). Contribuições para a Gestão do SUS. Gestão da Saúde Pública. Florianópolis: Fundação Boiteux, v. 10, 2016.

SILVA GM, BRANDESPIM DF, ROCHA MDG, LEITE RMB, OLIVEIRA JMB. Notificações de atendimento antirrábico humano na população do município de Garanhuns, Estado de Pernambuco, Brasil, no período de 2007 a 2010. Epidemiologia e Serviços de Saúde, v. 22, n. 1, p. 95-102, 2013. http://dx.doi.org/10.5123/S1679-49742013000100010.

VELOSO RD, AERTS DRGC, FETZER LO, ANJOS CB, SANGIOVANNI J.C. Motivos de abandono do tratamento antirrábico humano pós-exposição em Porto Alegre (RS, Brasil). Ciência & Saúde Coletiva, v. 16, n. 2, p.537-546, 2011. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-81232011001300036.

WADA MY, ROCHA SM, MAIA-ELKHOURY ANS. Situação da Raiva no Brasil, 2000 a 2009. Epidemiol Serv Saude, v. 20, n. 4, p. 509-18, 2011. http://dx.doi.org/10.5123/S1679-49742011000400010.




DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv3n5-211

Refbacks

  • There are currently no refbacks.