Febre Tifoide no Brasil: Fatores Determinantes / Typhoid Fever in Brazil: Determinant Factors

Gabriel Pinheiro Brito, Lídia Maria Costa Oliva, Lucian Herlan da Costa Luz Fernandes, Rodrigo Lagares da Silva Basso, Sérgio Beltrão de Andrade Lima, Tayná Aryane de Moura Costa

Abstract


Introdução: A Febre Tifoide é uma doença que tem como agente etiológico a Salmonella entérica sorovar Typhi1 de distribuição mundial, endêmica em algumas regiões brasileiras, principalmente nas regiões Norte e Nordeste e está associada a baixa cobertura sanitária. A transmissão da doença pode ocorrer de forma indireta através da ingestão de água ou alimentos contaminados com fezes humanas e, menos frequente, pelo contato direto com secreções respiratórias, fezes, urina, pus ou vômito do infectado2. Os sintomas da enfermidade se caracterizam por febre alta prolongada, cefaleia, diarreia, bradicardia, prisão de ventre, vômito, dor abdominal e mal estar, podendo apresentar ainda em casos de complicação enterorragia, perfuração intestinal e esplenomegalia. O tratamento é quase sempre ambulatorial, feito basicamente com antibióticos e reidratação e a internação é indicada para casos graves. Quanto a prevenção, pode ser feita principalmente, através de saneamento básico, higiene pessoal e preparo adequado dos alimentos3. Essa doença está intimamente relacionada as condições sanitárias e a estrutura socioeconômica de quem é acometido por ela2. Nesse sentido, existem fatores que podem estar associados a essas condições e que são determinantes para sua propagação. Diante do exposto, o presente estudo visa analisar a relação desses fatores e a disseminação da Salmonella entérica sorovar Typhi no Brasil.

Objetivos: Realizar revisão de literatura sobre os fatores que explicam a ocorrência da Febre Tifoide no território nacional. Métodos: Busca de artigos nas bases de dados Pubmed, Medline, Scielo, Google Acadêmico e LILACS, com as palavras-chave Salmonella Typhi; Febre tifóide; epidemiologia. Resultados e Discussão: No Brasil, nas últimas décadas, verifica-se uma tendência de declínio nas taxas de morbimortalidade por febre tifoide. Segundo dados do Ministério da Saúde entre 1990 e 1999, foram confirmados por ano uma média de 1620 casos e 24 óbitos, e entre 2000 e 2009, a média anual de casos e de óbitos passou para 491 e 11, respectivamente. No período de 2010 a 2017, foram confirmados 969 casos de febre tifoide no Brasil. A maior incidência foi nos anos de 2014 (187 casos), 2011 (161 casos) e 2010 (154 casos). No período avaliado, as regiões Norte (71,4%) e Nordeste (18,6%) concentraram o maior número de casos devido a diversos motivos2. O primeiro deles que pode ser mencionado são as mudanças ecológicas como, por exemplo, o período de estiagem no Nordeste quando, devido à escassez hídrica, a população é obrigada a consumir água de poços e açudes. Diante de péssimas condições sanitárias, essas fontes tendem a acúmular microorganismos patológicos, dentre estes a Samonella Typhi. Frisa-se que a contaminação desses açudes quando utilizados para a irrigação pode levar a bactéria para frutas e verduras, aumentando sua disseminação3. Ainda no que se refere as alterações ambientais, no Norte, especificamente quanto ao Estado do Pará, a Febre Tifoide apresenta-se de forma sazonal no segundo semestre do ano, que coincide com a menor ocorrência de chuvas. Esse fato explica-se, porque para que haja a infecção pela Salmonella Typhi faz-se necessária a ingestão de pelo menos dez milhões de unidades de bactérias, o que é dificultado quando a incidência de chuvas é maior, devido a diluição dos agentes infectantes no meio4. Outro fator observado que justifica o aumento da incidência da febre tifoide é o comportamento humano e as mudanças na demografia, pois o crescimento urbano desordenado favorece uma maior concentração de pessoas vulneráveis a febre tifoide, devido à falta de infraestrutura e saneamento básico peculiar nessas aglomerações1,2. Com relação a disseminação, é valido salientar que as viagens em decorrência da aproximação dos mercados financeiros dos países merecem relevância, uma vez que podem propiciar a maior circulação de pessoas que ingressam em zonas de alta endemicidade da doença e, consequentemente, sua contaminação e propagação. Ressalta-se também que a indústria alimentícia quando não observa corretamente as regras de manipulação de alimentos pode ser um potencial gerador da dissipação da Febre Tifoide. Isso porque o agente etiológico dessa doença pode sobreviver, por exemplo, por até 2 meses em laticínios e derivados, mesmo estes produtos estando congelados, pois o bacilo é bastante resistente ao frio e ao congelamento e também é capaz de resistir ao aquecimento de 60 graus por uma hora2,3. Deve-se ressaltar a importância da determinação desses condicionantes para a ocorrência da Febre Tifoide no Brasil, pois do ponto de vista epidemiológico, eles permitem estudar a fonte de infecção para estipular medidas de controle da Salmonella Typhi. Conclusão: Os autores dos artigos analisados são unânimes em afirmar que as alterações ecológicas, socioeconômicas, demográficas, bem como a circulação de pessoas em áreas endêmicas e controle da indústria alimentícia quanto a manipulação e conservação de alimentos são fatores que explicam a ocorrência da febre tifoide no Brasil.


Keywords


Salmonella Typhi, Febre Tifoide, Epidemiologia.

References


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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv3n5-084

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