Avaliação clínica da gravidade em pacientes portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) atendidos no CEMEC – CESUPA / Clinical evaluation of gravity in patients with chronic obstructive pulmonary disease (COPD) care at CEMEC - CESUPA

Layse Melo Menici Ayres, Stéphanie De Windson Navarro Cruz, Marilia de Fátima Silva Pinheiro, Ana Caroline Coelho Gomes, Letícia Pinheiro Nascimento, Tales Tadeu Russelakis Carneiro Oliveira, Erick Garcia Castro, Marina Assis da Escóssia Fernandes, Ana Katarina Marques de Lima, Layse Alice Carvalho Gonçalves

Abstract


Introdução: A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica - DPOC é uma condição comum, prevenivel e irreversível, definida como  síndrome caracterizada pela limitação crônica ao fluxo aéreo, evoluindo com destruição do parênquima pulmonar. Caracteriza-se por sinais e sintomas respiratórios, sendo o tabagismo sua principal causa. A relação VEF1/CVF < 0,7 após administração de broncodilatador é utilizada para diagnóstico; classifica-se pela Global Iniative for Chronic Obstructive Lung Disease (GOLD) em ABCD, quanto a gravidade clínica, e 1234, em relação ao grau de obstrução. Objetivos: Geral: Avaliar a gravidade da DPOC em pacientes acompanhados CEMEC. Específicos: 1) Classificar os pacientes segundo a gravidade em grupos A, B, C e D. 2) Caracterizar a relação da gravidade com as variáveis sexo, idade, IMC, carga tabágica, oximetria e medicamentos em uso dos pacientes estudados. 3) Caracterizar a relação das variáveis com as escalas mMRC e perfil exacerbador. 4) Comparar o VEF1 entre pacientes classificados pela sintomatologia. 5) Comparar o perfil espirométrico de pacientes exacerbadores e não exacerbadores. Metodologia: Foram pesquisados os prontuários através do CID J44 no CEMEC onde 25 deles se encaixavam no perfil delimitado tendo suas variáveis coletadas e analisadas. Resultados: Foi encontrada maior prevalência nos grupos C e D (66,66%), na faixa etária de 55 a 78 anos, predominando o maior IMC médio no grupo B (30,9 kg/m2) e maioria do sexo feminino (12/21). Constatou-se que a média de VEF1 pós broncodilatador era maior nos pacientes menos sintomáticos (59,4 ± 24,1). 61,11% dos doentes tinham carga tabágica > 20 maços/ano, sendo a maioria também exacerbadores (13/21). No que diz respeito à terapêutica aplicada aos grupos GOLD ABCD (n = 17), foi verificado que 12 se encontravam em monoterapia, cinco em associação e, apenas um, não fazia esquema algum. Conclusão: Observou-se um expressivo número de pacientes que não se encaixavam de fato no CID J44; dos 25 pacientes, apenas 21 possuíram dados suficientes para classificação ABCD, dentre eles, a maioria se encontrava nos grupos C e D. O sexo feminino foi mais prevalente, bem como os pacientes com maior carga tabágica; dentre os mais sintomáticos, evidenciou-se maior grau obstrutivo, sendo possível traçar o perfil de gravidade desses pacientes atendidos no serviço.

 


Keywords


Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, Classificação de gravidade, Fatores de risco

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv3n5-058

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