Incidência de vaginose bacteriana em usuárias de DIU de cobre – Revisão de Literatura / Incidence of bacterial vaginosis in copper IUD users - Literature Review

Laura de Oliveira Regis Fonseca, Fernanda Campos D’Avila, Victor Augusto Rocha Magalhães, Vivian Teixeira Andrade, Carlos Corrêa da Silva

Abstract


Introdução: O DIU é um método contraceptivo reversível de longa duração, eficaz e seguro que vem sofrendo impopularidade atualmente pelo medo de infecções advindas de seu uso, como a vaginose bacteriana. Esta é uma infecção vaginal frequente em mulheres em idade reprodutiva, cujo principal sintoma é um corrimento vaginal branco ou acinzentado e com odor desagradável. Objetivos: Analisar a prevalência e a incidência de vaginose bacteriana (VB) em usuárias de dispositivo intrauterino (DIU) de cobre em diversos estudos, ao longo dos anos. Metodologia: Revisão de literatura de 17 artigos encontrados com os descritores “vaginose bacteriana” e “DIU de cobre” nas bases de dados CAPES, PubMED, SciELO, LILACS e em livros clássicos de ginecologia. Resultados e discussão: Os artigos que verificaram a associação de VB com o uso de DIU demonstraram que essa incidência pode ser considerada quando relacionada com outros fatores, entre eles, mulheres em idade reprodutiva, uso de ducha, ISTs, infecções preexistentes e a ocorrência de sangramento irregular nos primeiros 6 meses de uso do método. A taxa de incidência é reduzida com o passar dos meses da inserção e DIUs que foram utilizados anteriormente eram mais associados ao surgimento de infecções, o que demonstra a melhora significativa da técnica e dos procedimentos assépticos com o tempo. Logo, desde que a inserção desse método contraceptivo seja realizada sob estritas precauções de higiene, não há maiores riscos de infecções como a VB entre as usuárias de DIU de cobre. Conclusão: O uso do DIU de cobre mostra-se como um fator de risco de baixa incidência para o desenvolvimento de Vaginose Bacteriana. O conhecimento das técnicas de inserção e a realização de exame ginecológico completo antes da inserção do DIU é de fundamental importância na orientação e na realização das medidas de cuidados e de assepsia e contribuem significativamente para redução da incidência de VB.


Keywords


Vaginose Bacteriana, Dispositivos Intrauterinos, Prevalência, Incidência

References


BASSIL, L. R. Tratado de Ginecologia. Grupo GEN, 2017. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527732406/. Accesso em: 14 ago. 2020.

GARY, H.B.L.S.J.O.H.L.M.B.K.D.C. F. Ginecologia de Williams. AMGH Editora. Grupo A, 2014. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580553116/. Accesso em: 14 ago. 2020.

HOLANDA, Antônio Arildo Reginaldo de et al. Controvérsias acerca do dispositivo intrauterino: uma revisão: Controversies about the intrauterine device: a review. Femina, Natal, v.410, n.3, p. 142-146, maio 2013.

JABUK, S. I. P. Prevalence of aerobic bacterial vaginosis among Intrauterine Contraceptive Device users women in Hilla city. Journal Of Babylon University: Pure and Applied Sciences. Babilônia, p. 2424- 2431, mar. 2014.

JOESOEF, M. R.; et al. High rate of bacterial vaginosis among women with intrauterine devices in Manado, Indonesia. Contraception, v.64, n. 3, p. 169-172, set. 2001.

KIM, Yeo Joo et al. Actinomyces-like organisms in cervical smears: the association with intrauterine device and pelvic inflammatory diseases. Obstetrics e Gynecology Science, [s.1.], v. 57, n.5, p.393-396, 2014. Korean Society of Obstetrics and Gynecology (KAMJE). DOI: 10.5468/ogs.2014.57.5.393.

LAGO, Raquel Ferraz do et al. Follow-up of users of intrauterine device with and without bacterial vaginosis and other cervicovaginal infections. Contraception, [s.1.], v.68, n.2, p. 105-109, ago. 2003. Elsevier BV. DOI: 10.1016/s0010-7824(03)00109-4.

LEITE, S. R.; et al. Perfil Clínica e microbiológico de mulheres com vaginose bacteriana: Clinical and microbiological profile of women with bacterial vaginosis. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, Recife, v.32, n.2, p.82-87, jan. 2010.

LI, X. D.; WANG, C. C.; ZHANG, X. J.; GAO, G. P.; TONG, F.; LI, X.; HOU, S.; SUN, L.; SUN, Y. H. Risk factors for bacterial vaginosis: results from a cross-sectional study having a sample of 53,652 women. European Journal Clinical Microbiology Infection Disease, v. 33, n.9, p. 1525-32, 2014.

MADDEN, T.; et al. Risk of Bacterial Vaginosis in Users of the Intrauterine Device: A Longitudinal Study. Sexual Transmissive Disease, Washington, v. 39, n. 3, p. 217-222, mar. 2012.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Manual técnico para profissionais de saúde – DIU com cobre T Cu 380 A, Brasília- DF, 1ed., editora MS, 2018.

MOHLLAJEE, A. P.; CURTIS, K. M.; PETERSON, H. B. Does insertion and use of na intrauterine device increase the risk of pelvic inflammatory disease among women with sexually transmitted infection? A systematic review. Contraception, v. 73, n. 2, p. 145-153, fev. 2006.

NESS, R. B.; et al. Douching in relation to bacterial vaginosis, lactobacilli, and facultative bactéria in the vagina. Obstetrics and Gynecology, London, v.100, n.4, p.765-766, out. 2002.

RIBEIRO, A. A.; et al. Agentes microbiológicos em exames citopatólogicos: estudo de prevalência. Revista Brasileira de Análises Clínicas, Goiás, v.39, n.3, p.179-181, fev. 2007.

SHA, Beverly e. et al. Female Genital- Tract HIV Load Correlates Inversely with Lactobacillus Species but Positively with Bacterial Vaginosis and Mycoplasma hominis. The jornal Of Infectious Diseases, [s.1.], v. 191, n.1, p.25-32, jan. 2005. Oxford University Press (OUP). DOI: 10.1086/426394.

TANAKA, V. D.; et al. Perfil epidemiológico de mulheres com vaginose bacteriana, atendidas em um ambulatório de doenças sexualmente transmissíveis, em São Paulo, SP. Anais Brasileiros de Dermatologia, São Paulo, v.81, n.1, p.41-46, jan. 2007.

TONINATO, L. G. D.; et al. Vaginose bacteriana diagnosticada em exames citológicos de rotina: prevalência e características dos esfregaços de Papanicolau. Revista Brasileira de Análises Clínicas, v.48, n.2, p. 165-169, 2016.

TOSUN, I.; et al. Frequency of bacterial vaginosis among women attending for intrauterine device insertion at na inner-city family planning clinic. European Journal Contraception and Reprodutive Health Care, Londres, v.8, n.3, p.135-138, set. 2003.

VAMAN, Jayshree; DEA VIKRISHNA; RAVEENDRAN, Ajitha. Compare the risk of genital tract infection in intrauterine contraceptive users and non users. J OF Evolution Of Med And Dent Sci, íÍndia, v.4, n.22, p. 3792-3803, mar. 2015.

WANG, L. Y.; OUYANG, L.; TONG, F.; ZHANG, X. J.; LI, X. D.; WANG, C. C.; LI, X.; SUN, L.; SUN, Y. H. The effect of contraceptive methods on reproductive tract infections risk: a cross-sectional study having a sample of 52,481 women. Archives of Gynecolpgy and Obstetrics, v. 294, n.6, p. 1249-1256, 2016.




DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv3n5-030

Refbacks

  • There are currently no refbacks.