Síndrome de Melkersson-Rosenthal complicada com hemiespasmo facial e hipertensão intracraniana / Melkersson-Rosenthal syndrome complicated with facial hemiaspasm and intracranial hypertension

Elis Penteado Arantes, Giuliana Vieira Pretti, Soo Yang Lee, Fabiana Penedo Leme

Abstract


Desde que foi descrita pela primeira vez em 1928, pelo neurologista Ernest Melkersson11, e complementada em 1931 por Curt Rosenthal12, a Síndrome de Melkersson-Rosenthal (SMR) tem se mostrado uma desordem rara e ainda carente de tratamento específico13,14. Descrevemos o caso de uma paciente jovem, que aos 23 anos apresentou o primeiro episódio de paralisia facial periférica à direita. Na ocasião foi conduzida de forma protocolar, com prednisona, paracetamol e cuidados oftalmológicos, assim como tratamento fisioterápico pertinente. Houve melhora da assimetria facial, quando em 2006 apresentou nova paralisia facial periférica, desta vez à esquerda, que foi conduzida de modo similar. Apresentou, então, mais 2 episódios de paralisia facial no intervalo de 3 anos, já com sequelas estéticas. Em 2009, no 5º episódio de paralisia, associou edema facial e queilite, quando foi solicitada biópsia de pálpebra superior, que resultou inespecífica. Em 2012, após a 8ª paralisia facial, foi submetida a nova biópsia, em que foi demonstrado infiltrado inflamatório consistente com suspeita clínica de SMR. Realizados exames de imagem (ressonância e angiorressonância de crânio), eletroneuromiografia de face – para prognóstico, e estudo liquórico, sem anormalidades. Naquele ano iniciou quadro de contrações involuntárias e rítmicas de musculatura orbicular dos olhos e boca à direita, além de risório e platisma, caracterizando hemiespasmo facial, tratado a cada 4 a 6 meses com Onabotulinum 100 UI. Durante todo o período do tratamento, alternou uso de prednisona 10mg com deflazacort 6mg, e em 2019, perante quadro persistente de cefaleia, foi submetida a nova ressonância com angiorressonância arterial e venosa de crânio, que trouxe elementos sugestivos de Hipertensão Intracraniana (HIC). Atualmente a paciente está em programação cirúrgica para descompressão do nervo facial bilateralmente e em tratamento da HIC.

 


Keywords


Hemiespasmo facial, queilite, hipertensão intracraniana, edema facial, paralisia facial

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv3n5-026

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