Casos notificados de sífilis congênita e seus impactos no sistema hospitalar em Salvador: 2010 – 2016 / Notified cases of congenital syphilis and its impacts on the hospital system in Salvador: 2010 – 2016

Wesley Mota Conceição, Amanda Gabrielle Santos Leite, Letícia Gonçalves Libonati, Maria Gabriela Daltro Farias, Larissa Barreto de Carneiro Rêgo, Meirelayne Borges Duarte

Abstract


Introdução: A sífilis é uma infecção provocada pela bactéria Treponema pallidum, transmitida por via sexual. Quando não é realizado o tratamento em gestantes, ou este não é eficaz, a sífilis pode ser transmitida por via transplacentária para o feto em qualquer estágio da gestação, por disseminação hematogênica, como também por meio do contato do recém-nascido com o canal de parto. Essa infecção pode resultar em aborto, natimorto, óbito perinatal, prematuridade, baixo peso ao nascer, sequelas neurológicas ou ósseas, entre outras enfermidades. Nos últimos dez anos, houve no Brasil um aumento exponencial na incidência de sífilis congênita (SC), sendo o Nordeste a região com o segundo maior número de casos. Métodos: Trata-se de um estudo ecológico série temporal, com o objetivo de identificar os casos notificados de SC e seus impactos no SUS em Salvador. Os dados foram obtidos do Sistema de Informações Hospitalares, Sistema de Informação de Agravos de Notificação e o Sistema de Informações de Nascidos Vivos, disponibilizados pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde. A população do estudo foi constituída por todos os casos de SC em menores de 1 ano registrados em Salvador entre janeiro de 2010 e dezembro 2016. As variáveis medidas foram os casos notificados, o número de internamentos e os custos dos serviços hospitalares. Foram calculados as taxas de incidência e o percentual de internações. Resultados: Foi observado um crescimento das notificações da doença. A taxa de incidência foi aproximadamente 10 vezes maior em 2016 quando comparado com 2010, passando de 2,45 notificações para cada 1.000 nascidos vivos em 2010 para 21,41 em 2016, refletindo, portanto, a vulnerabilidade dos recém-nascidos soteropolitanos. O percentual de internações foi de, aproximadamente, 56 para cada 100 casos confirmados e notificados. Os gastos com esses internamentos quase que quadruplicaram, gerando para o SUS um custo total de aproximadamente 625 mil reais no período. Conclusões: Apesar das medidas de prevenção e opções de tratamento, a SC continua a ser um problema mundial. A ineficiência no diagnóstico pré-natal e no tratamento das mulheres grávidas infectadas e de seus parceiros contribuem para o cenário. Os resultados indicaram uma maior necessidade da Atenção Básica no contexto do SUS. O pré-natal, segundo o Ministério da Saúde, deve conter pelo menos seis consultas, distribuídas ao longo da gravidez, garantindo que a primeira delas se inicie o mais precocemente possível com a oferta de exames básicos, como o VDRL.


Keywords


Sífilis, Sífilis Congênita, Infecções por Treponema.

References


HARRISON, L. W. Origin of syphilis. British Journal of Venereal Diseases, v. 35, n. 1, p. 1, 1959. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1047226/. Acesso em: 01 de junho de 2020.

SINGH, Ameeta E.; ROMANOWSKI, Barbara. Syphilis: review with emphasis on clinical, epidemiologic, and some biologic features. Clinical microbiology reviews, v. 12, n. 2, p. 187-209, 1999. Disponível em: https://cmr.asm.org/content/12/2/187.short. Acesso em: 01 de junho de 2020.

SEFTON, A. M. The Great Pox that was… syphilis. Journal of applied microbiology, v. 91, n. 4, p. 592-596, 2001. Disponível em: https://sfamjournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1046/j.1365-2672.2001.01494.x. Acesso em: 03 de junho de 2020.

ROTHSCHILD, Bruce M. History of syphilis. Clinical Infectious Diseases, v. 40, n. 10, p. 1454-1463, 2005. Disponível em: https://academic.oup.com/cid/article/40/10/1454/308400. Acesso em: 03 de junho de 2020.

FRITH, John et al. Syphilis-its early history and treatment until penicillin, and the debate on its origins. Journal of Military and Veterans Health, v. 20, n. 4, p. 49, 2012. Disponível em: https://search.informit.com.au/documentSummary;dn=395151977487523;res=IELHEA. Acesso em: 06 de junho de 2020.

GRIEBELER, Ana Paula Dhein. A concepção social da sífilis no Brasil: uma releitura sobre o surgimento e a atualidade. Repositório Digital UFRGS, 2009. Disponível em: https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/17934. Acesso em: 08 de junho de 2020.

CARRARA, Sérgio. Tributo a Vênus: a luta contra a sífilis no Brasil, da passagem do século aos anos 40. Editora Fiocruz, 1996. Disponível em: http://books.scielo.org/id/q6qbq. Acesso em: 08 de junho de 2020.

DA SILVA FEITOSA, José Antonio; DA ROCHA, Carlos Henrique Roriz; COSTA, Fernanda Salustiano. Artigo de revisão: Sífilis congênita. Revista de Medicina e Saúde de Brasília, v. 5, n. 2, 2016. Disponível em: https://portalrevistas.ucb.br/index.php/rmsbr/article/view/6749. Acesso em: 10 de junho de 2020.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo. Guia de Bolso para o Manejo da Sífilis em Gestantes e Sífilis Congênita. São Paulo, SP, 2016. Disponível em: http://docs.bvsalud.org/biblioref/2019/09/1015764/guiadebolsodasifilis-2edicao2016.pdf Acesso em: 10 de junho de 2020.

DO PROGRAMA, Coordenação. Sífilis congênita e sífilis na gestação. Rev Saúde Pública, v. 42, n. 4, p. 768-72, 2008. Disponível em: https://www.scielosp.org/pdf/rsp/2008.v42n4/768-772/. Acesso em: 20 de junho de 2020.

VILELA, Lorena Sôphia Cadete de Almeida Lemos et al. O pré-natal como ferramenta na prevenção da sífilis congênita: uma revisão integrativa da literatura. Brazilian Journal of health Review, v. 2, n. 3, p. 1609-1615, 2019. Disponível em: https://www.brazilianjournals.com/index.php/BJHR/article/view/1414. Acesso em: 24 de julho de 2020.

MENDES, Isadora Cristina et al. Anomalias congênitas e suas principais causas evitáveis: uma revisão. Revista Médica de Minas Gerais, v. 28, 2018. Disponível em: http://rmmg.org/exportar-pdf/2329/e1977.pdf. Acesso em: 24 de junho de 2020.

GUINSBURG, Ruth et al. Critérios diagnósticos e tratamento da sífilis congênita. São Paulo: Departamento de Neonatologia, Sociedade Brasileira de Pediatria, 2010. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/2015/02/tratamento_sifilis.pdf. Acesso em: 25 de junho de 2020.

SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE; MINISTÉRIO DA SAÚDE (MS). Boletim epidemiológico: sífilis. 2017. Disponível em: http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2017/novembro/13/BE-2017-038-Boletim-Sifilis-11-2017-publicacao-.pdf. Acesso em: 30 de junho de 2020.

BRITO, Pollyana Justino de et al. Assistência de enfermagem no pré-natal com enfoque na prevenção da sífilis congênita. SISTEMOTECA – Sistema de Bibliotecas da UFCG, 2014. Disponível em: http://dspace.sti.ufcg.edu.br:8080/jspui/handle/riufcg/9766. Acesso em 13 de julho de 2020.

BAHIA. Secretaria de Saúde. Diretoria de Vigilância Epidemiológica. Boletim Epidemiológico de Sífilis - 2019. Salvador, Secretaria de Saúde, 2019. Disponível em: http://www.saude.ba.gov.br/wp-content/uploads/2018/08/boletim_sifilis_2019.pdf. Acesso em: 13 de julho de 2020.

Organização Mundial de Saúde. Eliminação mundial da sífilis congénita: Fundamento lógico e estratégia para ação. Organização Mundial da saúde; 2008.46p. [acesso em 16 de julho de 2020]. Disponível em: http://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/43782/9789248595851_por.pdf;jsessionid=F6A9E7F4728F91E008DA9F80768F6416?sequence=4

PACHECO, Clarissa. Casos de sífilis em Salvador cresceram 40% no ano passado. 2020. Correio da Bahia. Disponível em: https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/casos-de-sifilis-em-salvador-cresceram-40-no-ano-passado/. Acesso em: 16 de julho 2020.

SÃO PAULO. Secretaria de Saúde. Coordenadoria de Planejamento em Saúde. Atenção a Gestante e a Puérpera no SUS-SP: manual técnico do pré-natal e puerpério. São Paulo, Secretaria de Saúde, 2010. p. 43-51.

BRASIL. Ministério da Saúde. Nota informativa Nº 2-SEI/2017-DIAHV/SVS/MS. Departamento de vigilância, prevenção e controle das infecções sexualmente transmissíveis das IST, do HIV/Aids e Hepatites Virais. Brasília, 2017. Disponível em: http://www.aids.gov.br/pt-br/legislacao/nota-informativa-no-02-sei2017-diahvsvsms. Acesso em: 17 de julho de 2020.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Atenção ao pré-natal de baixo risco. Cadernos de Atenção Básica n. 32. Brasília, 2012. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cadernos_atencao_basica_32_prenatal.pdf. Acesso em: 16 de julho de 2020.

DE OLIVEIRA, Jamile Souza; SANTOS, Jéssica Vasconcelos. PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA SÍFILIS CONGÊNITA NO ESTADO DA BAHIA, NO PERÍODO DE 2010A 2013. Rev. Eletrôn. Atualiza Saúde, v. 2, n. 2, 2015. Disponível em: http://atualizarevista.com.br/wp-content/uploads/2015/07/Perfil-epidemiol%C3%B3gico-da-s%C3%ADfilis-cong%C3%AAnita-no-Estado-da-Bahia-no-per%C3%ADodo-de-2010-a-2013-v.2-n.2.pdf. Acesso em: 17 de julho de 2020.




DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv3n5-023

Refbacks

  • There are currently no refbacks.