Perfil epidemiológico dos acidentes ofidicos da mesorregião do baixo Amazonas do estado do Pará, Brasil / Epidemiological profile of the ophidian accidents of lower Amazon region of Pará state, Brazil

Maria Josiérika Cunha da Silva, Felipe Teixeira Soares, Gabriela Pereira da Trindade, Hugo Siqueira Diniz, Janaina Maria Rodrigues Medeiros, Joyce Gabrieli Miranda Lopes, Juliane Lúcia Gomes da Rocha, Lorena Oliveira Gonçalves, Priscila Castilho Nunes

Abstract


Os envenenamentos por serpentes peçonhentas no Brasil ocorrem com grande frequência e são causados, sobretudo, por animais dos gêneros Crotalus, Lachesis, Bothrops e Micrurus. Nessa perspectiva, no ano de 2016 foram notificados aproximadamente 26.244 casos de ofidismo no país, sendo que a região norte computou 8.638 dos casos onde 4.722 foram oriundos do estado do Pará. O Baixo Amazonas é uma das seis mesorregiões que constituem o segundo maior território do país. O déficit de informações divulgadas concernentes aos acidentes provocados por animais peçonhentos no estado dificulta o conhecimento da distribuição dos acidentes por essas serpentes, assim como dos dados epidemiológicos. Isto pode permitir que ocorram falhas no planejamento e na distribuição de recursos para o tratamento e manejo das vítimas no estado do Pará. Nessa ótica, foi realizado um estudo epidemiológico descritivo e retrospectivo analisando os dados relativos aos acidentes pelas principais serpentes de ocorrência na mesorregião do Baixo Amazonas entre o período de 2010 a 2016 obtidos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) oriundos da Secretaria de Saúde Pública do Estado do Pará (SESPA). As variáveis consideradas foram: faixa etária, sexo, tipo de serpente, evolução, meses em que os acidentes aconteceram, classificação dos acidentes, local da picada e o tempo até o atendimento. Os dados foram tabulados através do Microsoft Excel 2010. Nessa perspectiva, foram notificados 9.621 casos no período avaliado, com média de 1.374,4 casos/ano; a maior frequência de casos foi no sexo masculino (73,7%) e a faixa etária que apresentou maior risco foi a do intervalo de 20 a 39 anos (37,2% dos casos notificados); o maior número de casos ocorreu entre janeiro e julho (62,1%), sendo que, dentre os acidentes provocados por espécies peçonhentas (4220 casos), a maior parte foi causada pelo gênero  Bothrops  (84,9%); do total notificado, a maioria dos casos, isto é, 4746 (49,3%) foram classificados como casos leves, seguido por 3655 (37,9%) casos moderados e 755 (7,84%) casos graves, enquanto que 29 (0,3%) evoluíram para óbito pelo agravo notificado. O período pluviométrico elevado encontrado nos meses onde ocorreu aumento dos registros dos acidentes ofídicos auxilia no entendimento da ocorrência destes eventos. O perfil epidemiológico encontrado é fundamental para prevenção de novos casos bem como eficaz para o planejamento das ações em saúde.

 

 


Keywords


Acidente Ofídico, Epidemiologia, Vigilância em Saúde Pública.

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