Interrupção e abandono no tratamento da hanseníase / Interruption and abandonment in the treatment of leprosy

Aline Russomano de Gouvêa, Joice Machado Martins, Joice Machado Martins, Claudemir Posclan, Tauana Aparecida Almeida Dias, José Martins Pinto Neto, Gledes Paula de Freitas Rondina, Priscila Cristina Oliveira Zignani Pimentel, André Wilian Lozano

Abstract


O Brasil é o segundo país do mundo com maior número de casos de Hanseníase. São considerados pilares para alcançar a eliminação dessa doença o diagnóstico precoce e a adesão ao tratamento. O tratamento poliquimioterápico constitui em 6 meses podendo se estender até 9 meses para casos Paucibacilares; já em casos de Multibacilares, 12 meses até 18 meses. Esse estudo tem como objetivo identificar e descrever os motivos que levaram os usuários(as) dos serviços de saúde diagnosticados com hanseníase de 2013 a 2017 residentes em uma cidade hiperendêmica do noroeste paulista a interromper ou abandonar o tratamento. Trata-se de estudo descritivo transversal com abordagem quantitativa. Obtivemos aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa destinado pela a Plataforma Brasil sob o número de Protocolo 91251718.4.0000.5415. Foram coletados dados de 234 prontuários de 2013 a 2017 e constatou-se que 32 (13,7%) usuários enquadravam-se em situação de abandono e 03 (1,3%) em interrupção do tratamento, ambas as classificações totalizaram-se em 35 (15,0%) dos casos notificados no período. Os resultados evidenciaram que as altas taxas de abandono e interrupção do tratamento, principalmente, no ano de 2017 com taxa de (23.9 %) no abandono e (4,3 %) nos casos de interrupção. As drogas que compõem a Poliquioterapia causam efeitos adversos e esse foi o principal motivo de interrupção ou abandono do tratamento identificado em 35 (14,9%) dos casos. É necessário que a equipe multiprofissional seja mais efetiva no cumprimento das ações do Programa de Eliminação da Hanseníase. Os serviçso de saúde devem implantar medidas para atuar na mitigação desses motivos de interrupção ou abandono contribuindo assim para adesão ao tratamento e quebra da cadeia epidemiológica de transmissão da doença.
  

Keywords


Hanseníase; Saúde Pública; Epidemiologia; Tratamento Farmacológico

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv3n4-273

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