Ambiente alimentar de adolescentes em condição de vulnerabilidade assistidos por um programa social em Chapecó, SC / Food environment of adolescents in vulnerability condition assisted by a social program in Chapecó, SC

Ana Paula Romanzini, Wilson José Constante Júnior, Carla Rosane Paz Arruda Teo

Abstract


Introdução: considerando que o ambiente alimentar influencia o consumo da população, principalmente no que se refere aos adolescentes, podendo contribuir para escolhas pouco saudáveis, este trabalho teve por objetivo analisar o ambiente alimentar dos adolescentes em vulnerabilidade assistidos por um programa social em Chapecó-SC. Metodologia: foi realizado um estudo de caso com 20 adolescentes assistidos pelo Programa Viver, no ano de 2016. Foram coletados dados antropométricos dos adolescentes para cálculo do Índice de Massa Corporal e aplicado o formulário de marcadores alimentares do Ministério da Saúde, além de entrevista à cozinheira do Programa e observação in loco do cardápio ofertado. Além disso, foram referenciados geograficamente os principais pontos de acesso a compra de alimentos utilizados pelos adolescentes do Programa Viver, aferindo-se suas coordenadas. Os endereços residenciais e da escola frequentada pelos adolescentes foram levantados com a finalidade de complementar a análise do ambiente alimentar. Resultados: observou-se predominância da condição de eutrofia (13). Entre os alimentos saudáveis investigados, apenas feijão teve consumo recente relatado pela maior parte dos adolescentes (12). O consumo de frutas e hortaliças foi relatado por apenas 7 e 5 adolescentes, respectivamente. O consumo recente de bebidas adoçadas foi referido por 18 entrevistados, e o consumo de salgadinhos, biscoitos salgados e macarrão instantâneo por 13 deles. Constatou-se prevalência dos hábitos de realizar refeições fazendo uso de algum equipamento eletrônico (18) e de não consumir café da manhã (14). As grandes refeições são feitas em domicílio (almoço: 17; jantar: 15) e 11 adolescentes compram algum tipo de guloseima entre duas e cinco vezes na semana. O cardápio revelou baixa variedade de alimentos e expressiva monotonia de preparações e cores. O Programa depende exclusivamente de doações para a oferta de refeições e não conta com horta nem pomar. Quanto ao georreferenciamento, as distâncias encontradas entre o Programa Viver e a) a escola foi muito pequena (54 metros), b) o supermercado mais utilizado para comprar alimentos foi de 46 metros. Conclusões: os participantes dessa pesquisa estão inseridos em um ambiente alimentar com tendência obesogênica, pois há predominância de alimentos com alto teor energético, processados e ultraprocessados, e baixa ingestão de frutas e hortaliças. A compra e consumo de guloseimas e petiscos no decorrer do dia pode favorecer o ganho de peso excessivo. Sugere-se que o Programa Social exerça uma influência relativamente danosa para o padrão alimentar dos adolescentes que o frequentam, incidindo desfavoravelmente na composição de seu ambiente alimentar.


Keywords


vulnerabilidade em saúde, nutrição do adolescente, preferências alimentares.

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv3n4-267

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