A comunicação na unidade de terapia intensiva oncológica: Uma revisão sistemática sobre os vieses que interferem e ou participam na comunicação entre enfermeiros e pacientes oncológicos / Communication in the oncological intensive care unit: A systematic review of vieses that interfer and or participate in communication between nurses and oncological patients

André Alves Catapreta, Wilson Denadai, Victoria Maia Viana Marcial, Fábio da Silva Matos, Cleide dos Santos Coelho, Maira Dorighetto Ardisson, Rodrigo Alves Faria

Abstract


Introdução: O processo de comunicação é imprescindível em qualquer área ou setor de atuação, e não se estabelece apenas pela verbalização das palavras, mas, também na sensibilidade para alcançar mensagens subliminares à realização do cuidado adequado. No espaço da unidade de terapia intensiva, percebe-se que o enfermeiro não pode ser considerado um mero executante de técnicas ou procedimentos, mas, como o responsável por elaborar e implementar uma série de ações de cuidados direcionados à preservação da assistência humanizada e ética fundamentada em sua capacidade de comunicação Objetivo: Levantar e discutir vieses que possam interferir ou participar na comunicação entre os profissionais de enfermagem e os pacientes oncológicos internados na unidade de terapia intensiva. Métodos: Trata-se de um estudo baseado na revisão sistemática da literatura de forma retrospectiva. Utilizou-se os bancos de dados on-line (PubMed, Google Scholar, MEDLINE, Up to Date, LILACS, SCIELO, Embase e Web of Science) na busca de artigos originais, revisões e meta-análises condizentes ao tema. A unidade de terapia intensiva foi escolhida pela gravidade dos pacientes internados, principalmente os oncológicos devido à complexidade da assistência a eles destinada. Resultados: Identificamos que a comunicação fornecida pelo enfermeiro demonstra conhecimento amplo e a sua assistência é baseada em estratégias para a tomada de decisões. Por mais que seja imprescindível que o enfermeiro neste setor tenha o perfil adequado para entender as peculiaridades clínicas e pessoais de cada paciente, a disponibilização de treinamentos não é rotineira tampouco exigida, além disso, identificou-se que não é correto se referir ao processo de comunicação apenas como uma habilidade técnica, pelo fato do enfermeiro não ser um mero executante delas, mas, o responsável por elaborar e implementar ações baseadas no cuidado ao paciente oncológico preservando a assistência humanizada e ética, por isso, ferramentas de auxílio neste contexto da comunicação podem fornecer mais subsídios ao enfermeiro nesta ação. Para tanto, a carga de trabalho deve estar adequada para não inferir negativamente o lado emocional do enfermeiro e prejudicar a qualidade do cuidado aos pacientes. Conclusão: A habilidade de comunicação pode permitir novas reflexões e discussões proporcionando melhorias na assistência. As ferramentas de auxílio podem fornecer eficácia no atendimento, porém, a busca por aperfeiçoamento neste processo é fundamental à melhor assistência, refletindo no tratamento e na reabilitação do paciente oncológico internado.

 


Keywords


Enfermeiro, Comunicação, Relação Paciente-Enfermeiro, Unidade de Terapia Intensiva, Oncologia Clínica.

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv3n4-265

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