Prevalência de Doença de Chagas em Idosos no Estado do Pará: Uma Análise Retrospectiva / Prevalence of Chagas Disease in Elderly People: A Retrospective Analysis

Danillo Monteiro Porfírio, Eduarda Souza Dacier Lobato, Gabriela Pereira da Trindade, Gilson Guedes de Araújo Filho, Juliana Valente Alves, Kleber Pinto Ladislau, Lucival Seabra Furtado Junior, Maria Emília da Silva Coelho, Welligton Oliveira de Souza, Taciane Silva Gonçalves

Abstract


A Doença de Chagas é uma antropozoonose causada pelo protozoário Tripanosoma cruzi, tendo como vetor o inseto triatomíneo hematófago, comumente chamado de “barbeiro”. A doença cursa com uma fase aguda que pode persistir se não houver diagnóstico e tratamento oportunos, caracterizando uma fase crônica. Sendo a doença de chagas a segunda causa mais comum de morte em idosos brasileiros dentre as doenças infecto-parasitárias, a associação da doença ao processo de envelhecimento merece ênfase. Dessa forma, o objetivo desse trabalho foi de verificar a prevalência de Doença de Chagas em idosos do estado do Pará e sua contribuição para a formação médica. Trata-se de um estudo de caráter analítico, observacional, transversal e retrospectivo, cujos dados foram obtidos através de consulta da base de dados SINAN (Sistema de Informações de Agravo de Notificação) disponibilizado pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). A população de estudo foi constituída por todos os casos de Doença de Chagas na faixa etária de 60 a 80 anos no estado do Pará no período de 2010 a 2017. As variáveis analisadas foram: agravo de notificação, estado de notificação, modo de transmissão, sexo e faixa etária. No período analisado, foram notificados 173 casos agudos de Doenças de Chagas no Estado do Pará na faixa etária correspondente, com predomínio nos municípios de Ananindeua (23,12%), Belém (20,23%) e Abaetetuba (14,45%). A doença apesentou maiores índices em 2012 e 2017. A faixa etária mais acometida foi a de 70 – 79 anos (34,68%), na qual houve predomínio do sexo feminino (51,66%). Porém, sob uma análise geral dos casos notificados, o sexo masculino preponderou com 90 casos (52,02%). Enquanto a raça, a maioria dos acometidos pela doença se declarou de raça parda (75,72%). O principal modo de transmissão provável da doença foi o oral (75,14%), tendo como principal local provável de infecção o domicílio. Acerca do critério confirmatório, houve um predomínio da forma Laboratorial (97,68%). Em relação à evolução da doença, 148 casos confirmados evoluíram para “vivo” (85,54%) e apenas 9 para óbito. Sendo assim, percebe-se que a ocorrência de Doença de Chagas em idosos é um problema grave de saúde pública, sendo causado principalmente através da transmissão oral do patógeno. Além disso, no que tange ao sexo, observou-se equilíbrio no número de casos agudos com discreta prevalência masculina. Assim, os fatores associados à doença apresentados podem ser manipulados pelo poder público e devem ser considerados no planejamento de medidas efetivas para o seu controle.


Keywords


Prevalência, Doença de Chagas, Trypanosoma cruzi.

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv3n4-154

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