Doença de lyme símile – Relato de caso / Similar lyme disease - Case report

Manuela Santos de Almeida, Narelly Araújo Smith, Herbert Paulino Cordeiro, Amanda Vallinoto Silva de Araújo

Abstract


Paciente sexo feminino, 29 anos, natural de Belém-PA. Atendida em 2017 referindo que em 2013, começou a trabalhar em um petshop em Belém, sendo frequentemente picada por carrapatos. Certa vez, desenvolveu lesão macular violácea de crescimento centrífugo com mais de 10 cm na perna esquerda, acompanhado por sintomas gripais. Em 2014, apresentou episódios de amaurose, astenia e parestesia de membros inferiores, seguido por artrite em grandes articulações e dores simulando fibromialgia. Foi tratada para esclerose múltipla por neurologista. Realizou RM do crânio e da coluna vertebral, exame de líquor e oftamológicos sem alterações. Em 2016, suspeitou-se de Doença de Lyme Símile(DLS), apresentando sorologia positiva no método ELISA com IgM de 25U/mL para borrelia burgdorferi. Desde então, a doença cursa com episódios recidivantes dos sintomas anteriores, associados a poliartrite, recorrência de lesões cutâneas em todo corpo e sintomas gripais. Ocorrem surtos mais graves com paralisia muscular e facial e perda de visão súbita bilateral. A paciente vem evoluindo com síndrome Pós Lyme disease, com alterações cognitivas, palpitações, amnésia, alterações de humor e quadro psiquiátrico depressivo, utilizando antidepressivos. Conduta: Iniciou tratamento com ceftriaxone 2g/ EV durante 30 dias, seguido de antibioticoterapia oral com doxiciclina, azitromicina ou cefuroxima por mais 2 meses. Discussão: Paciente possui fatores de risco pelo contato com carrapatos, mas contraria parâmetros epidemiológicos da região, gerando dificuldade no diagnóstico. O quadro iniciou com a sintomatologia clássica, com o aparecimento de eritema com crescimento centrífugo acompanhado de sintomas gripais. Pela ausência de tratamento, os sintomas evoluíram para o 2º estágio, com radiculopatia periférica em MMII e amaurose. Os sintomas mais comuns no 3º estágio da doença são: a artrite mono ou oligoarticular – sugerindo erroneamente causas reumatológica; paralisia facial e encefalomielite progressiva, apresentando convulsões, sonolência, amnésia e outras deficiências cognitivas. O exame sorológico pelo método ELISA resultou em IgM+, confirmada pelo teste enzimático WB, confirmando-se DLS. Adicionalmente, a paciente evoluiu com Síndrome Pós Lyme Disease, sugerindo uma infecção prolongada. Comentários finais: Desse modo, percebe-se a deficiência de informações na região Norte para o diagnóstico da DLS, prejudicando a evolução da paciente pela demora no tratamento adequado.

 


Keywords


Doença de Lyme, Borrelia burgdorferi, Neuroborreliose de Lyme.

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv3n4-101

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