Panorama dos atendimentos realizados no ambulatório especializado de nefrologia no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), entre os anos de 2011 e 2017 / Overview of the care provided at the specialized nephrology outpatient clinic at Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), between the years 2011 and 2017

Flávia Silva de Souza, Maurilo de Nazaré de Lima Leite Júnior, Ana Cláudia Pinto de Figueiredo Fontes, Alinie da Silva Pichone, Gabriela da Silva Branco, Harlon França de Menezes

Abstract


O HUCFF é referência internacional em procedimentos de alta complexidade e pesquisas reconhecidas internacionalmente em diversas especialidades clínicas e cirúrgicas, formando, anualmente, cerca de 200 residentes e tendo, entre suas funções institucionais, a assistência à população, ensino qualificado e pesquisa científica. O Serviço de Ambulatório é a principal porta de entrada do Hospital à assistência terciária. OBJETIVOS: identificar o panorama das consultas realizadas pelo Ambulatório Especializado de Nefrologia no HUCFF entre 2011 e 2017 e analisar os impactos das diretrizes políticas no quantitativo de atendimentos no Ambulatório. MÉTODO: estudo retrospectivo das consultas médicas realizadas a pacientes com DRC em tratamento ambulatorial no período de 2011 a 2017, por meio de busca a registro de consultas agendadas, realizadas e não realizadas disponíveis no prontuário eletrônico da unidade. RESULTADOS: No período analisado foram realizadas 22.344 consultas de Nefrologia e Transplante (e também do Ambulatório Especializado em Osteodistrofia criado em 2015), com média de 3.192 consultas/ano. Nos primeiros três anos foram realizadas mais de 5.000 consultas/ano, porém o quantitativo de atendimentos foi diminuindo para uma média de 4.638 atendimentos em 2014 e 2015, alcançando o menor número em 2016, com 3.224 atendimentos, enquanto no ano seguinte (2017) houve um pequeno acréscimo no total de atendimentos (3.383). Com relação a capacidade de atendimento de prontuários extras, foram realizados 381 registrados ao longo dos sete anos estudados, sendo apenas 31 nos primeiros três anos (2011 a 2013). Porém, um aumento foi verificado nos anos posteriores (2014 a 2017), com uma média de 88 prontuários/ano (chegando a 113 em 2017), dos quais apenas 6% não foram abertos. CONCLUSÕES: apesar das dificuldades de provimento de pessoal, do persistente subfinanciamento, do sucateamento das unidades e redução da procura de estudantes de pós-graduação, não há registro nos períodos recentes de suspensão de serviços médicos.


Keywords


doença renal crônica, ambulatório hospitalar, SUS

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv3n4-093

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