Qualidade de Vida e Doenças Crônicas: Possíveis Relações / Quality of Life and Chronic Diseases: Possible Relationships

Clara Nardini Souto

Abstract


Introdução: O termo qualidade de vida (QV) é definido como a percepção do indivíduo sobre sua vida nos seguintes contextos: saúde, relações sociais, trabalho, estado psicológico, lazer e sua relação com o ambiente. Ao falar QV, engloba-se os hábitos diários, que podem ser prejudiciais à saúde, como o sedentarismo, uso nocivo de álcool, tabagismo, alimentação inadequada e estresse, que são considerados fatores de risco que diminuem a qualidade de vida, estando associados às doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). Tais doenças geralmente se prolongam ao longo do tempo, em geral não se resolvem espontaneamente e raramente têm cura, alterando completamente a vida diária do indivíduo. Objetivo geral: Apresentar as possíveis relações entre a qualidade de vida dos brasileiros com o surgimento de doenças crônicas e a adesão ao tratamento, especialmente em pessoas portadoras de diabetes mellitus tipo II. Método: Realizou-se um estudo bibliográfico com consulta em diversas bases de dados, considerando o período de 2010 a 2019. Resultados: A partir da análise de 34 artigos, foi possível observar a influência da qualidade de vida dos brasileiros no desenvolvimento de doenças crônicas, uma vez que está relacionada aos comportamentos e hábitos dos indivíduos, podendo ser prejudiciais à saúde. Estes fatores de risco, muitos presentes na população brasileira, podem causar riscos intermediários como aumento da pressão arterial, alto nível de glicose, alta concentração de lipídios e sobrepeso. O estresse e a depressão são outros fatores de riscos, uma vez que podem causar uma desregulação do sistema biológico, aumentando o risco do desenvolvimento de doenças como diabetes, hipertensão, vários tipos de câncer, dentre outros. Por sua vez, o desenvolvimento de doenças crônicas causa diversos impactos na QV do indivíduo, como na sua capacidade física, mental e na sua independência. Após o diagnóstico de diabetes, o indivíduo pode apresentar dificuldades emocionais e psicológicas para enfrentá-lo e aderir ao tratamento, podendo desenvolver sentimentos negativos, como baixa autoestima, revolta, ansiedade, negação da doença e insegurança. A não adesão ao tratamento é a principal causa para o desenvolvimento de complicações, piorando a QV e aumentando a mortalidade. Para que haja adesão, a família e o psicólogo têm um papel importante, pois darão apoio e farão com que o paciente se sinta acolhido e motivado para continuar o tratamento e assim fazer as mudanças necessárias, restabelecendo sua qualidade de vida. Conclusão: Conclui-se que o baixo nível de qualidade de vida predispõe ao desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis. Com o seu diagnóstico ocorre uma piora, maior ou menor, na QV, conforme a estrutura psicológica do indivíduo que também influi na adesão ao tratamento, responsável por uma possível melhora significativa na qualidade de vida do paciente.


Keywords


qualidade de vida, doenças crônicas, adesão ao tratamento

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv3n4-077

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