Síndrome de Burnout em residentes médicos: Uma revisão bibliográfica / Burnout Syndrome among resident physicians: A bibliographic review

Rafael Jordão Oliveira, Isabela De Marco Leandro, Paulo Tadeu Alves Barbosa, Rodolfo Oliveira Abreu, Giselle Grossman, Flávia Fernandes Barbosa, Pedro Enrique Carrascal Alvim, Ana Cláudia Soares Junqueira, Monaliza Mendes Carvalho da Cruz, João Marcelo Medeiros Lebrão, Raquel Juliana de Oliveira Soares

Abstract


A residência médica (RM) é uma modalidade de ensino de pós-graduação cobiçada por muitos médicos, pois é um dos meios para alcançar a especialização profissional. É também um período estressante, marcado por constante pressão, o que leva os profissionais a apresentarem cansaço extremo e medo de cometer erros - características apontadas como parte da etiologia da Síndrome de Burnout, genericamente chamada de esgotamento profissional. Tal síndrome é caracterizada como um quadro mental de despersonalização, sentimento de insatisfação profissional e principalmente exaustão emocional, motivo pelo qual o modelo atual de RM vem recebendo muitas críticas.  Neste sentido, este estudo teve como objetivos revisar a produção científica acerca da Síndrome de Burnout em residentes médicos e discutir os fatores de risco que comprometem a saúde e a qualidade de vida do residente. Tratou-se de uma revisão integrativa da literatura, tendo como critérios de inclusão: artigos em língua portuguesa ou inglesa, publicados entre 2010 e 2020. A amostra final desta revisão contemplou 10 (dez) artigos. Observou-se que, apesar de regulamentada a carga horária dos programas de RM, grande parte dos residentes relata jornada semanal mais longa que a preconizada. Soma-se a isso o fato de que muitos médicos residentes possuem outro vínculo de trabalho além do oferecido pelo programa de RM e assim sacrificam horas que deveriam ser dedicadas ao lazer ou descanso. As longas jornadas de trabalho geram privação do sono e acarretam distúrbios do ciclo circadiano, o que pode comprometer a relação médico-paciente e o desempenho no trabalho. Ressalta-se ainda que o contato frequente com a dor e o sofrimento associa-se ao aumento do uso de substâncias ilícitas, etilismo, depressão, ansiedade, maior suscetibilidade a infecções e pensamentos suicidas. Outro ponto observado é o relato de casos de Síndrome de Burnout mais elevado nas residências cirúrgicas e de emergência, locais onde pode ser verificada maior carga de estresse físico e emocional. Também constatou-se que residentes com um repertório maior de habilidades comunicativas apresentaram uma menor chance de desenvolverem Burnout. Importante advertir que a Síndrome de Burnout possui relação com o suicídio, então, diante dessa realidade, torna-se fundamental que esses profissionais tenham melhores condições de trabalho, apoio e orientação profissional para que se evitem impactos negativos em suas vidas.


Keywords


Síndrome do Esgotamento; Médico Residente; Fadiga Mental.

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv3n4-067

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