A insustentável leveza do toque: aprendizagens em hanseníase / The lightness of the unsustainable touch: learning in leprosy

Catarina Nóbrega Lopes, Mattheus de Luna Seixas Soares Lavor, Ana Luisa Brito de Carvalho, Marina Mousinho de Pontes Damaceno, Fernanda Ferreira de Andrade, Gilvandro de Assis Abrantes Leite Filho, Ademar Torres de Benevolo, Otávio Sérgio Lopes

Abstract


A hanseníase é uma das doenças mais antigas da história da humanidade. Considerada uma doença do homem pobre, pode levar a complicações neurológicas graves e deficiências físicas. É caracterizada como infectocontagiosa e é causada pela Mycobacterium leprae. Para realizar tal diagnóstico na Atenção Primária à Saúde (APS), é feito o exame dermatoneurológico. Existe, porém, um fosso assistencial que nos impede de chegar mais facilmente a essas pessoas. Nesse contexto os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) – pontes entre o serviço e a própria comunidade por serem parte integrante do território – podem ser elos importantes no rompimento dos atrasos diagnósticos. Na Unidade de Saúde da Família (USF) Viver Bem, foi feito o diagnóstico de hanseníase em um paciente adscrito ao território e, visto que seu diagnóstico tardio pode acarretar complicações irreversíveis, é de suma importância que haja um olhar diferenciado aos alterações de pele, para que sejam triados na população que mora nesta região, evitando assim que hajam subdiagnósticos. O presente projeto visa capacitar os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) a suspeitarem precocemente dos casos de hanseníase. Para atingir esse objetivo, serão realizados exposições dialogadas e rodas de conversa acerca do tema com a equipe de saúde, abordando os possíveis diagnósticos diferenciais (como a ptiríase) e ratificando a importância do olhar para o paciente além de uma doença, entendendo assim a pessoa como um todo. Além disso, para fortalecer o aprendizado sobre a hanseníase, serão entregues folders com informações relevantes como etiologia, transmissão, sinais/sintomas, complicações e tratamento.


Keywords


Hanseníase, educação em saúde, agente comunitário

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv3n4-041

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