Impacto da vacinação contra varicela nos índices de morbimortalidade no Brasil / Impact of chickenpox vaccination on morbidity and mortality rates in Brazil

Alana Luanni Messias da Silva, Joseneide da Silva Gouvêa, Andrea Nazaré Monteiro Rangel da Silva, Luiz Fernando Almeida Machado, Jacqueline Cortinhas Monteiro, Vânia Nakauth Azevedo, Antonio Carlos Rosário Vallinoto, Rosimar Neris Martins Feitosa

Abstract


A infecção primária pelo vírus varicela-zoster (VZV) é responsável pelo desenvolvimento da doença conhecida como varicela ou catapora, a qual ocorre comumente na infância e é altamente contagiosa. No Brasil, desde setembro de 2013 o Ministério da Saúde por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI), introduziu a vacina tetravalente viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela) com o objetivo de reduzir a morbimortalidade causada por este vírus. O objetivo deste trabalho foi descrever o perfil epidemiológico dos casos notificados e avaliar o impacto do programa de vacinação sobre a morbimortalidade da varicela no Brasil antes e após a introdução da vacina no Sistema Único de Saúde. Incluímos pessoas de ambos os sexos, menores de dez anos, com varicela, cujas informações epidemiológicas e de morbimortalidade foram inseridas no Departamento de Informática do SUS, no período de 2008 a 2018, para comparação dos casos notificados nos períodos pré e pós-vacinal. As internações associadas ao vírus varicela-zoster no Brasil no período pré-vacinal foram de 27.902, com maior ocorrência na região Sudeste. No período pós-vacinal ocorreram 13.759 internações resultando em uma redução de 50,1% quando comparado ao período pré-vacinal. A faixa etária com a maior frequência de casos em ambos os períodos foi de um a quatro anos (15.337 - 55% e 6.597 - 48% casos, respectivamente), seguida do grupo de menores de um ano (7.822 - 28% e 3,606 - 26%, respectivamente). Contudo, a taxa de mortalidade foi maior na faixa etária de menores de um ano em ambos os períodos (102 óbitos no período pré-vacinal e 57 no pós-vacinal). Embora tenha ocorrido redução no número absoluto de óbitos em todas as faixas etárias ao comparar os dois períodos, observou-se um aumento de óbitos em taxas percentuais em menores de um ano de idade (53,4% - pré-vacinal e 58,8% - pós-vacinal). A introdução da vacina tetravalente viral pelo SUS diminuiu consideravelmente as hospitalizações e óbitos por varicela no grupo etário alvo da vacinação, demonstrando a eficácia da vacina. Todavia ainda há a necessidade de realização de estudos multicêntricos objetivando o aprimoramento e ajuste das estratégias vacinais de acordo com a realidade brasileira para a manutenção de uma taxa de cobertura vacinal eficiente contra varicela e outros agravos imunopreveníveis por vacinas.


Keywords


Varicela, Crianças, Vacinação, Brasil

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv3n4-003

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