Associação entre qualidade do sono e ansiedade em acadêmicos de medicina/ Association between sleep quality and anxiety in medical students

Bárbara Ramos Leite, ThaisFrancielle Santana Vieira, Marília de Lima Mota, Elisandra de Carvalho Nascimento, Ingrid Cristiane Pereira Gomes

Abstract


INTRODUÇÃO: A ansiedade é descrita como uma importante consequência da privação de sono, comprometendo a atenção e a concentração, ambas indispensáveis para o desempenho acadêmico. OBJETIVO: Avaliar a associação entre redução da qualidade de sono e aumento da ansiedade em estudantes de medicina. MÉTODOS: Foi realizado um estudo transversal e quantitativo, com acadêmicos de medicina de uma instituição privada do Nordeste do Brasil. Foram utilizados como coleta de dados o questionário Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI), e o Inventário da Ansiedade Traço-Estado (IDATE). A análise dos dados foi feita pelo programa R Core Team 2019, sendo o teste estatístico utilizado o Qui-Quadrado de Pearson, com nível de significância p < 0,05. RESULTADOS: Participaram do estudo 298 alunos, com média de idade de 22,5 anos, sendo 191 (64,1%) mulheres. A amostra foi dividida em primeiro, terceiro e sexto ano do curso. Observou-se associação significativa entre redução da qualidade do sono e o índice de ansiedade (p<0,001; r= 0,442) na amostra estudada. Quanto ao PSQI, 23,8% (n = 71) dos acadêmicos apresentaram boa qualidade do sono, 61,1% (n = 182) ruim e 15,1% (n = 45) distúrbio de sono. Ademais, verificou-se que 64,8% (n=46) dos acadêmicos com nível baixo de ansiedade apresentaram bom índice de sono. Dentre os 76,9% (n=140) com nível moderado de ansiedade, notou-se índice de sono ruim. Já em relação aos 73,3% (n=33) com nível alto de ansiedade, constatou-se nível moderado de ansiedade. Quando relacionado o índice de ansiedade com o padrão do ciclo sono-vigília, separados por anos acadêmicos, observou-se que o percentual de acadêmicos com alterações no grau de ansiedade e nível de sonolência foi similar entre o primeiro (p= 0,003; r= 0,320) e o terceiro ano do curso (p <0,001; r= 0,321), enquanto os acadêmicos do sexto ano apresentaram alterações significativamente maiores (p <0,001; r= 0,663). CONCLUSÃO: Sugere-se que a piora da qualidade do sono relaciona-se ao avançar do curso de medicina, o que pode deixar aos acadêmicos mais propensos a apresentarem aumento do nível de ansiedade.


Keywords


acadêmicos, medicina, privação do sono, ansiedade.

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DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv3n3-200

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