A interdisciplinaridade no trabalho em saúde para o preparo da alta hospitalar da criança com doença crônica e segmento da assistência pela atenção primária de saúde – relato de caso / An interdisciplinarity in health work to prepare hospital discharge for children with chronic diseases and the health care segment in health care - case report

Ludymila Linéia Almeida de França, Gabriela Cavalcanti Barros, Naama Katarine Formiga Leite, Andrezza Rayana da Costa Alves Delmiro, Ana Jacira Fernandes de Sena, Eliza Juliana da Costa Eulálio, Erika Acioli Gomes Pimenta

Abstract


A criança com doença crônica necessita de cuidados específicos como alimentação, medicação, acompanhamento do estado clínico e reorganização familiar em função da cronicidade, dependendo de uma atenção permanente por equipe interdisciplinar, tanto no hospital para o preparo da alta, como pela Unidade Básica de Saúde (UBS) no acompanhamento regular e diário por sua família/responsáveis. A articulação multiprofissional faz-se necessária para assistir integralmente ao binômio mãe-filho, tendo em vista que as crianças demandam cuidados cotidianos indispensáveis à vida. O objetivo desse estudo foi identificar a relevância do trabalho multi e interprofissional, tanto a nível hospitalar quanto o segmento da assistência na UBS. Trata-se de um paciente internado no Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW), acompanhando pelo Projeto de Extensão “Preparo para alta e segmento domiciliar de crianças e adolescentes portadores de condições crônicas” na clínica pediátrica do referido hospital. Paciente do sexo masculino, 10 meses, acompanhado pela mãe, admitido em 31/07/2017, com diagnóstico de neuropatia crônica. Faz uso de próteses de correção em membro superior esquerdo e membros inferiores prescritas pela terapia ocupacional antes desse internamento, devido a alterações ósseas e hipotonia severa. A mãe relata que, por não obter assistência adequada na UBS buscou atendimento hospitalar, no qual a criança foi admitida devido à disfagia que evoluiu para uma desnutrição severa. Inicialmente, foi realizada a inserção de uma sonda nasogástrica (SNG), e após exames, foi constatada a necessidade de gastrostomia (GTT). De início a mãe recusou o procedimento, alegando estar acostumada com a alimentação pela SNG e por receio ao procedimento cirúrgico para inserção da GTT. Mediante ao caso e as necessidades do lactente, as extensionistas de enfermagem e fisioterapia buscaram uma aproximação com a mãe por meio de escuta qualificada, criando vínculo não só com a mãe, mas com a criança também, possibilitando, em seguida, o início das ações. As atividades realizadas foram voltadas para a instrumentalização prática a fim de promover o cuidado adequado com a SNG que estava sendo utilizada, além de conversar sobre a necessidade e os cuidados referentes ao uso da GTT, além da necessidade do uso constante das próteses, contribuindo para a aceitação da mãe no que tange a realização do procedimento. Além das dúvidas sobre o cuidado, a mãe relatou dúvidas sobre a possibilidade de recebimento de um auxílio-doença para seu filho, sendo orientada a procurar a assistente social do serviço. Embora a cirurgia fosse necessária, o binômio recebeu alta hospitalar no dia 18/08/2017, devido falta de vaga na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no momento, ficando o serviço responsável de informar a mãe uma nova data. Durante o preparo para a alta, a mãe foi orientada pela nutricionista do hospital sobre o preparo e administração da dieta ainda em uso da SNG, além de, posteriormente, realizar esses procedimentos com apoio das extensionistas até sentir-se segura durante a realização. Antes do retorno ao domicílio, as extensionistas desenvolveram e entregaram a mãe uma ficha de seguimento domiciliar que deveria ser levada a UBS com intuito de apresentar aos profissionais todo o processo ocorrido durante o período de hospitalização, além de buscar estabelecer um vínculo entre a família e a UBS. Reafirmamos, portanto a importância e a necessidade de um acompanhamento multiprofissional para o atendimento integral a criança que convive com uma condição crônica e sua família, ultrapassando o ambiente hospitalar e alcançando a Atenção Primária de Saúde (APS), garantindo a continuidade da assistência, buscando qualidade de vida, bem como favorecendo autonomia para o cuidado cotidiano, de maneira que a família possa atuar como coparticipante do cuidado efetivo e humanizado.


Keywords


doença crônica, saúde da criança, equipe interdisciplinar de saúde, saúde da família.



DOI: https://doi.org/10.34119/bjhrv3n3-182

Refbacks

  • There are currently no refbacks.