Potencial antihelmíntico de sementes de abóbora (Cucurbita mochata) em equinos / Anti-helmintic potential of pumpkin seeds (Cucurbita moschata) in equine

Débora Fernandes de Lima, Mônica Maria de Almeida Brainer, Rafaella Ferreira Fabino, Bruno Carvalho da Silva, Marcelo Marcondes de Godoy, Ronaildo Fabino Neto, Hélber Souto Morgado

Resumo


O controle dos helmintos em equinos deve ser uma preocupação constante, pois os parasitas intestinais são responsáveis por elevar os índices de morbidade e mortalidade, além de predispor os animais a outras doenças. Diante disso, o objetivo do trabalho foi avaliar a eficácia e eficiência de diferentes dosagens de farinha de semente de abóbora (Cucurbita moschata) como anti-helmíntico em equinos. O trabalho foi realizado no IF Goiano Campus Ceres, utilizando-se 12 equinos do Centro de Equoterapia em um delineamento inteiramente casualizado em parcelas subdivididas no tempo com três repetições, sendo as parcelas os quatro tratamentos antiparasitários e as subparcelas os cinco períodos de avaliação do OPG (ovos por grama) pós-tratamento (14, 21, 28, 35 e 42 dias). Os tratamentos foram: T1 – grupo controle, T2 – ivermectina 200 µg/kg, T3 – 1 g/kg de farinha de semente de abóbora (FSA) e T4 – 3 g/kg de FSA. A ivermectina apresentou eficácia aos 21, 28 e 35 dias, enquanto que 1 g/kg de FSA apresentou baixa eficácia aos 14 e 28 dias e ineficácia nos demais períodos e 3 g/kg de FSA foi ineficaz em todos os períodos. Quanto à eficiência de redução na contagem dos ovos nos períodos pós-tratamentos, a ivermectina apresentou maior eficiência aos 28 dias e a dose de 1 g/kg de FSA a maior eficiência aos 14 dias, entretanto, a dose de 3 g/kg de FSA foi ineficiente em todos os períodos avaliados. A dose de 1 g/kg de farinha de sementes de abóbora teve baixa eficácia e eficiência no controle de helmintos em cavalos, sendo que o tratamento com 3 g/kg foi ineficiente e ineficaz em todos os períodos pós-tratamentos avaliados.


Palavras-chave


Cucurbitáceas, equinocultura, endoparasitas, plantas medicinais, vermifugação.

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DOI: https://doi.org/10.34188/bjaerv3n3-016

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